Republicanos do Texas aprovam plataforma partidária chamando eleição de Biden de 'ilegítima'

O Partido Republicano no Texas adotou uma série de declarações de extrema direita como parte de sua plataforma oficial no fim de semana, alegando que o presidente Joe Biden não foi eleito de forma legítima, atacando o senador John Cornyn por seu trabalho em uma proposta bipartidária de controle de armas, e chamando a homossexualidade de “escolha anormal de estilo de vida”.

Essa plataforma foi votada em Houston durante a convenção do partido, concluída no sábado.

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As resoluções sobre Biden e Cornyn foram aprovadas pelos delegados da sigla, de acordo com James Wesolek, diretor de comunicações para o Partido Republicano do Texas. Declarações sobre a homossexualidade — assim como posições sobre o aborto defendendo que os estudantes aprendam sobre “a humanidade da criança antes do nascimento” — estavam entre as mais de 270 ideias aprovadas por uma comissão partidária e votadas pelos delegados em cédulas de papel.

Os resultados do voto em plenário não tinham sido divulgados até o fim do domingo, mas Wesolek disse que era raro uma proposta ser derrubada após ter passado pela comissão.

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As resoluções adotando as falsas alegações de que o ex-presidente Donald Trump foi vítima de uma eleição roubada em 2020, assim como as outras declarações, estão entre os mais recentes exemplos de como os republicanos do Texas estão se movendo mais à direita nos últimos meses.

Os republicanos controlam o Legislativo, o Executivo e todos os cargos da administração estadual, e usam esse domínio para passar leis mais duras contra o aborto, criar problemas nas cadeias de suprimentos com novas inspeções,e indicar o novo procurador-geral, apoiado por Trump, ao invés de um membro da família Bush, em recentes primárias.

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Convenções partidárias no Texas já foram cenário para tornar públicas divergências internas. Em 2012, o governador Rick Perry foi vaiado na reunião quando disse que apoiaria seu vice na então primária para a disputa no Senado, ao invés de apoiar Ted Cruz. Na sexta, Cornyn, um dos principais negociadores com os democratas sobre leis de controle de armas, foi vaiado após um discurso no qual garantia a seus colegas de partido que a nova legislação não violaria os direitos dos donos de armas.

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A resolução adotando as falsas alegações sobre a eleição de 2020 afirma que “uma substancial fraude em áreas metropolitanas afetou os resultados de cinco estados-chave a favor” de Biden. O texto rejeita os “resultados certificados da eleição presidencial de 2020, e considera que o presidente em exercício, Joseph Robinette Biden Jr., não foi eleito de forma legítima pelo povo dos Estados Unidos”.

A declaração ainda encoraja os republicanos para que compareçam às urnas nas eleições legislativas de novembro, e para que “se apresentem como voluntários no escritório local dos republicanos e evitem qualquer possível fraude”.

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Steve Toth, um deputado estadual que representa o condado de Montgomery, nos subúrbios de Houston, disse que saiu da convenção antes das votações, mas reiterou que elas têm seu apoio. Afirmou esperar que a resolução sobre Biden “encoraje republicanos e democratas para que se unam e peçam uma auditoria forense” da eleição de 2020.

Mary Lowe, delegada dos subúrbios de Fort Worth que priorizou temas educacionais na reunião, disse que ficou surpresa com a ênfase dada aos resultados da eleição de 2020. Mas afirmou que “não conhece muitas pessoas que sentem que Biden venceu”. Inregrante de um grupo conhecido como Mães Pela Liberdade, ela estava entre os delegados que criticaram abertamente Cornyn, mas declarou ter se sentido constrangida pelas vaias.

— Não acredito que vaiar seja algo educado — disse. — Penso que políticos eleitos devem ser tratados de forma correta.

'Ações agressivas'

A resolução atacando Cornyn aprovada na convenção criticou as chamadas leis de alerta, que permitem que armas de pessoas consideradas perigosas sejam apreendidas. Essas leis, segundo a resolução, “violam o direito individual a um processo legal, e são uma forma de punição ‘pré-crime’ de pessoas ainda não consideradas culpadas”.

O texto sobre a homossexualidade foi aprovado pela comissão por 17 votos a 14, de acordo com Jason Vaugh, de Houston, que é assumidamente gay e votou contra.

— Isso não ajuda para que andemos para a frente como um partido e ganhemos eleitores — disse, em um vídeo no encontro da comissão. Vaughn declarou que a mudança foi resultado de um pequeno grupo de pessoas que “fazem com que o processo seja ruim porque eles querem essas coisas radicais, de extrema direita”.

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Toth discorda, afirmando que o Partido Republicano, ao fazer declarações sobre os direitos da população LGBTQIAP+, aborto e a eleição de 2020, está sendo coerente com seus valores conservadores.

— Defesa do casamento? Aborto? Segunda Emenda [relacionada ao direito de ter armas]? Onde nós nos movemos para a direita? — questionou. — Os republicanos sempre foram grandes defensores dos valores constitucionais da família.

Um deputado democrata do Texas, Colin Allred, disse que as ações republicanas são agressivas.

“O Partido Republicano do Texas está tentando nos levar para um tempo em que as mulheres não podiam tomar decisões sobre seus corpos, e quando os americanos viviam com medo de serem punidos por serem eles mesmos”, disse, em comunicado.

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