Resíduo nuclear pode ser solução para futuras missões espaciais da ESA

Em novembro, ministros da Agência Espacial Europeia (ESA) aprovaram fundos destinados ao novo projeto European Devices Using Radioisotope Energy (ENDURE). A iniciativa é focada no desenvolvimento de baterias para exploração espacial alimentadas pelo isótopo amerício-241 e, se tiver sucesso, pode permitir operações em lugares onde o acesso à energia solar é reduzido ou inexistente.

As baterias usadas atualmente em missões espaciais dependem do plutônio-238, um isótopo de produção desafiadora e de altos custos. Hoje, os Estados Unidos e Rússia contêm a maior parte do isótopo, e a NASA dispõe de poucas quantidades para uso em seus projetos. Assim, a ESA se viu obrigada a procurar alternativas, e investirá quase 30 milhões de euros para tentar desenvolver uma bateria de amerício-241.

O amerício pode ser extraído do combustível usado em usinas nucleares (Imagem: Reprodução/Lemnaouer/Envato)
O amerício pode ser extraído do combustível usado em usinas nucleares (Imagem: Reprodução/Lemnaouer/Envato)

Derivado do plutônio usado em reatores de usinas nucleares, o amerício é um elemento radioativo capaz de gerar calor suficiente para aquecer equipamentos e gerar energia para alimentar sistemas elétricos. Segundo os pesquisadores, ele é de produção mais fácil e de menor custo, mas tem menor potencial energético que o plutônio-238. Mesmo assim, os cientistas acreditam que vale a pena tentar usar o composto.

Apesar de a ESA ter decidido experimentar o uso do amerício, esta será a primeira vez que o elemento será usado como fonte de energia neste tipo de bateria. Assim, os cientistas acreditam que ainda haverá alguns imprevistos a serem solucionados antes que o uso dos resíduos de amerício sejam aplicados em missões espaciais. No momento, a ESA acredita que deve lançar foguetes com baterias de amerício até o fim da década.

Quando estiver aperfeiçoada, a nova tecnologia deverá permitir que os astronautas e cientistas da agência realizem estudos espaciais por conta própria, sem depender de parcerias com os russos ou norte-americanos. Ainda, a nova tecnologia deverá ajudar a ESA a economizar fundos a longo prazo, que podem ser aplicados em seu programa espacial.

Fonte: Canaltech

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