'Respeitamos o Legislativo, mas quem executa o Orçamento somos nós', diz Bolsonaro

Sérgio Roxo
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O Presidente da Republica Jair Bolsonaro nesta quint-feira no Palacio da Alvorada

GUARUJÁ (SP). O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite deste sábado que tentará lutar pela manutenção do veto que garante ao Executivo federal definir o destino de R$ 30 bilhões do orçamento de 2020.

- Estamos lutando em Brasília pela manutenção de um veto de R$ 30 bilhões. Se o vetor for derrubado, quem vai fazer a destinação é o Poder Legislativo. Respeitamos o Poder Legislativo, mas quem executa o orçamento somos nós - disse o presidente, depois de uma pizzaria no Guarujá, no litoral onde passar o Carnaval.

As regras do orçamento impositivo aprovadas pelo Congresso preveem que deputados e senadores passem a ser os responsáveis por definir o destino de cerca de R$ 30 bilhões do Orçamento deste ano. Bolsonaro vetou esse trecho. O Congresso chegou a se articular para derrubar o veto.

Na semana passada, havia sido anunciado um acordo segundo o qual o governo aceitava ceder aos parlamentares o direito de indicar a ordem da execução das emendas no Orçamento. O veto presidencial seria derrubado em troca da não punição de gestores do Executivo que descumprissem prazos de execução das emendas.

Na última terça-feira, durante cerimônia no Palácio do Planalto, o minsitro chege do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, deixou claro ser contra este acordo, posição compartilhada pela equipe econômica do governo. Em frase ouvida pelos ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Paulo Guedes (Economia), e captada pela transmissão ao vivo da Presidência pela internet, Heleno avaliou que o Executivo não pode aceitar “chantagens” do Parlamento o tempo todo.

— Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se — disse o ministro.

Neste sábado, Bolsonaro deixou o Forte dos Andradas, onde passa o feriado, para comer pizza em um clube. Na saída, passou em uma outra pizzaria para cumprimentar apoiadores. O presidente disse, ao deixar o local, que o Executivo precisa ter poder sobre o destino do orçamento.

- Vão cobrar de nós a execução de obras. O Legislativo indica e fsicaliza. Isso que nós queremos colocar em pratica.

Bolsonaro se queixou ainda da repercussão da sua fala mais cedo, quando indagou um apoiador que usava chapéu de vaqueiro nordestino sobre por que "cearense tem cabeça grande".

- A Folha de S. Paulo já está botando que eu estou ofendendo cearense. Daqui para frente tem cabeça pequena. Pronto.