Resposta sueca à pandemia foi lenta e insuficiente, diz comissão independente

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - A estratégia sueca de enfrentamento à pandemia do coronavírus foi lenta e insuficiente para limitar a propagação das infecções no país e esteve abaixo do padrão esperado, declarou nesta sexta-feira (29) uma comissão independente nomeada pelo governo para revisar a resposta nacional à crise sanitária.

Considerado uma exceção europeia nas medidas implementadas para controlar o avanço do vírus, o país nórdico não estabeleceu políticas nacionais de lockdown nem a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados ou abertos. Essa postura é um dos pontos sensíveis abordados no relatório de dois volumes disponibilizado pela comissão.

"A escolha sueca enfatizou medidas de controle de infecção baseadas no voluntarismo e na responsabilidade individual, ao invés de medidas interventivas", diz um trecho. "O controle das infecções foi descentralizado e fragmentado de forma que não deixa claro quem é o responsável pelo todo quando uma doença infecciosa afeta o país."

Com cerca de 10,3 milhões de habitantes, a Suécia soma 1,17 milhão de casos confirmados de Covid-19 desde o início da pandemia. Com a cifra, lidera as nações nórdicas em número de casos por milhão de pessoas -são 115.109. Na sequência, estão a Dinamarca (65,9 mil), Islândia (38,7 mil), Noruega (37 mil) e Finlândia (28 mil).

A média diária de casos confirmados por milhão de habitantes apresenta queda desde a última alta, em setembro. A taxa, que atingiu o pico em janeiro, com 732, atualmente está em 72. No Brasil, por exemplo, a média diária é de 57 novos casos por milhão de habitantes.

O número de casos tem diminuído em razão da campanha de imunização, iniciada no país em dezembro de 2020. A Suécia tem 67,8% da população com esquema vacinal completo (duas doses ou dose única da vacina), de acordo com dados da plataforma Our World in Data. O aumento do número de mortes nas últimas semanas -são 15 mil desde o início da pandemia-, porém, preocupa o governo.

Na quarta (27), o governo anunciou que a terceira dose da vacina, ou dose de reforço, hoje disponível para aqueles que vivem em asilos e pessoas com mais de 80 anos, começará a ser disponibilizada para pessoas com mais de 65 anos e profissionais de saúde. Até o final de maio do próximo ano, o objetivo é oferecê-la também a todos os maiores de 16 anos, disse a ministra da Saúde, Lena Hallengren.

No relatório disponibilizado nesta sexta, a comissão independente diz que, a curto prazo, o serviço de saúde sueco foi capaz de fazer alterações e atender aos pacientes com Covid, mas que "em grande parte, isso é mérito da equipe". "As mudanças se deram a custo de um ônus extremo para os funcionários. Viveremos com as consequências da pandemia por muito tempo", expressa o documento.

A cada atualização das recomendações nacionais para o enfrentamento à doença, há menor recomendação para o isolamento e o uso de máscaras, medidas cuja importância já é consensuada por organismos internacionais. Em dezembro de 2020, houve recomendação para uso da proteção facial no transporte público. Já em 29 de setembro deste ano, quando foi implementada a fase 4 do plano de remoção das restrições, não houve menção ao uso de máscaras.

Na última atualização, o governo sueco retirou o limite de número de participantes em reuniões e eventos públicos no caso de crianças e adultos completamente vacinados. Também eliminou a recomendação para que, quem puder, trabalhe em casa. Não existem mais regras de limite de pessoas em restaurantes, eventos e shows.

As recomendações para evitar a propagação da doença são tomar a vacina e ficar em casa se tiver sintomas de Covid. No caso de adultos não vacinados, há recomendação para que mantenham distância de colegas de trabalho e de idosos com mais de 70 anos.

"A comissão considera que a forma como a Suécia optou por organizar o seu controle da infecção deu origem a uma série de problemas no combate à pandemia", sintetiza o documento. A comissão foi estabelecida em junho de 2020 pelo premiê social-democrata Stefan Löfven após pressão dos principais partidos de oposição, os Moderados e os Democratas Suecos (estes da ultradireita).

Em dezembro, o rei sueco, Carl XVI Gustaf, disse publicamente que o país falhou no combate à pandemia -à época, havia uma alta no número de mortes de idosos, algo que a comissão também atribuiu às falhas políticas nacionais. "Acredito que falhamos", disse o monarca em um programa televisivo. "Tivemos um grande número de mortes e isso é terrível."

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