Ressaca do mar 'devolve' refrigerante que parou de ser produzido há 20 anos

A Pop Cola parou de ser fabricada em 2000, quando Brahma e Antarctica se fundiram (Foto: Renato Miranda)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Decomposição do alumínio demora mais de mil anos

  • Homem que achou o refrigerante há havia encontrado lata de cerveja de 1995 na praia

O portuário Renato Lemos Miranda caminhava no entorno da Ilha das Palmas, no Guarujá (litoral paulista), quando encontrou uma lata de refrigerante produzida há mais de 20 anos. A bebida era uma Pop Cola, marca que deixou de ser produzida em 2000, com a fusão das cervejarias Brahma e Antarctica que resultou no surgimento da Ambev.

O objeto ainda mantém as cores originais e incentiva uma reflexão sobre o descarte de lixo no país. O homem que encontrou a lata se disse impressionado com o fato de ainda ser possível ler a data da fabricação na embalagem:

“Fiquei até chateado, não é bacana. Fiz uma postagem nas redes sociais para criar um pouco de senso nas pessoas sobre os impactos que causamos na natureza.”

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Não é a primeira vez que Miranda encontra uma relíquia do tipo na praia. Em 2015, encontrou uma lata de cerveja fabricada em 1995 na Praia do Sangava, também no Guarujá. As duas estão expostas na casa do portuário, que pretende doá-las para uma instituição que realize ações de conscientização ambiental.

Mesmo depois de tantos anos, ainda é possível ler as datas de validade e fabricação do refrigerante (Foto: Renato Miranda)

Ele se inspira no falecido pai, que organizava mutirões de limpeza das praias e encontrava objetos que hoje estão expostos no Aquário de Santos. “Encontrar a latinha me fez perceber o quanto nossos impactos podem ser negativos por tanto tempo”, comenta Miranda.

Técia Bergamo, geógrafa e mestre em Tecnologia Ambiental, professora da Universidade Metropolitana de Santos de Santos (Unimes), explica que o alumínio demora mais de mil anos para se decompor. Ela afirma que o episódio é um alerta sobre a grande quantidade de lixo depositado não somente nas praias, mas por todo o país:

“Consequência disso é a perda de biodiversidade e a redução de recursos. É resultado da má gestão dos resíduos sólidos nas cidades e a falta de conscientização da população. Há necessidade de políticas públicas para que nenhum material ou resíduo chegue nas praias. O mar está devolvendo o que ele recebeu.”