Restauração da tela de Di Cavalcanti danificada por terroristas pode levar três meses; obra é avaliada em R$ 8 mi

Uma obra de Di Cavalcanti (1897-1976) aparece na longa lista de itens avariados em meio à destruição causada por terroristas nas dependências do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), neste domingo (8). De 1962, a tela "As mulatas", que estava no Palácio do Planalto, foi perfurada em seis pontos.

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Especialistas garantem que a restauração de uma tela como esta pode levar até 90 dias. A restauradora Carla Prates avalia que o resultado, no entanto, é bastante satisfatório.

— Seria necessária uma análise completa, para saber as dimensões dos furos, entre outros detalhes. Mas o que eu posso dizer é que é possível recuperar a obra e a recuperação é muito eficiente, não vai ser perceptível nenhum dano ao final do trabalho — afirma Prates. — Conseguiríamos fazer em 90 dias, com todos os prazos de secagem.

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O curador e galerista Max Perlingeiro avalia a obra danificada no Planalto:

— É uma obra avaliada em torno de R$ 8 milhões.

Para ele, restauração "é a pior coisa que existe", ainda que alcance um resultado satisfatório.

— O ato (de destruir a obra) é uma coisa muito forte. A obra é patrimônio do povo brasileiro. Não está ali como um armário ou outro objeto. É de um grande artista, muito significativa, está ali desde os anos 1960. Pode ter sido cedida por algum museu ou foi adquirida diretamente pelo governo federal. Uma agressão gratuita, inaceitável. Acidentes acontecem, mas restauração é a pior coisa que existe. Antes, vem a conservação. Restauração é o ultimo furo do cinto — diz Perlingeiro.