Restaurada, estação em Paranapiacaba será ocupada após abandono de 18 anos

MARCELO TOLEDO
·2 minuto de leitura

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Após dez meses de trabalhos, chegou ao fim a restauração da estação ferroviária Campo Grande, na vila histórica de Paranapiacaba, que voltará a ser ocupada em 2021 após abandono de quase duas décadas. A estação foi inaugurada em 1889, 40 anos antes do surgimento do prédio atual, e pertenceu à histórica SPR (São Paulo Railway), que surgiu em 1867 e foi pioneira no transporte ferroviário paulista. Ela deixou de transportar passageiros em 2002, quando foi acentuado o processo de abandono, e passou até a sofrer risco de desabamento por conta de umidade, sujeira, fungos e bolores. A primeira parte da restauração foi limpar o local, para que fosse permitido visualizar todos os danos existentes. Agora, o local abrigará a partir do próximo ano o centro de controle operacional da concessionária MRS. As composições que trafegam pela região têm como destino o porto de Santos e o retorno do litoral sentido interior paulista. De acordo com a arquiteta Fabiula Domingues, do escritório de arquitetura e urbanismo Contemporânea Paulista, especializado em restauração de patrimônio histórico e cultural e que coordenou a obra, as características arquitetônicas da construção quase centenária foram mantidas. A previsão inicial apontava perda de 90% da estação, com a manutenção só de tijolos e alvenarias externas, mas a partir da limpeza inicial a equipe constatou que outros componentes do prédio estavam em bom estado de conservação. Cerca de 2.000 telhas, fabricadas no século 19, foram limpas e testadas antes de serem devolvidas à cobertura da estação. Respiradores de ferro (usados para troca de ar perto do chão), ainda com a marca SPR, foram recuperados. Três deles foram substituídos por réplicas. “O piso originalmente era feito de pinho de riga, madeira mais nobre, que hoje não se consegue achar no mercado com tanta facilidade. O projeto previa madeiramento similar e adotamos a garapeira.” A arquiteta disse que tudo o que estava previsto no projeto, iniciado em janeiro, foi entregue. A restauração envolveu cerca de 40 profissionais, custou R$ 1,74 milhão e foi patrocinada pela própria concessionária, por meio de lei de incentivo à cultura. Além do piso e das telhas, a restauração interna envolveu tijolos, madeiramento estrutural, argamassa de revestimento, portas e janelas. No lado externo, piso, cercamento, preparação de solo para estacionamento, postes de energia e iluminação estão entre os pontos restaurados. “O parapeito que a gente encontra na área do estacionamento é diferente do encontrado em outra fachada. A leitura que fizemos é a de que na fachada noroeste, por ter condição climática mais ensolarada, foi usado ferro fundido. No outro lado, sudeste, foi adotado parapeito em pedra granito, muito provavelmente por ser uma área de incidência maior de umidade. O granito é mais resistente que o ferro fundido.”