Restauradores correm contra o tempo para reconstruir acervo do STF para início das atividades do Judiciário

Restauradores do Supremo Tribunal Federal (STF) correm contra o tempo para deixar o térreo do edifício da Corte pronto para a abertura do ano no Judiciário, em 1° de fevereiro. O STF foi a sede de poder mais destruída pela ação de golpistas bolsonaristas no dia 8 de janeiro. A equipe da Gerência de Preservação e Restauração está focada em liberar peças do acervo do andar principal até o fim do mês a fim de cumprir o cronograma estabelecido pela presidente da Casa, Rosa Weber.

A ação dos terroristas no prédio do Supremo gerou um prejuízo de R$ 5,9 milhões aos cofres públicos, além de valor inestimável em termos históricos. Neste momento, os restauradores priorizam cerca de 30 objetos que compõem a ambiência do térreo, onde fica o plenário da Corte, para depois seguir com a restauração dos outros andares.

De acordo com chefe da área de preservação, cerâmicas e porcelanas que ficavam no Salão Nobre do Palácio, onde autoridades estrangeiras são recebidas, foram estilhaçadas em pedaços que não permitem a reconstrução.

Um dia depois dos ataques, a ministra Rosa Weber afirmou que resconstruiria a sede da Corte até 1° de fevereiro. Em um encontro com Lula, a ministra afirmou que estava muito triste com o ocorrido, mas que reconstruiria o prédio a tempo de dar início ao ano de atividades do Judiciário.

– Nossa atividade é de preservar, mas infelizmente dessa vez estamos tendo que restaurar– afirma Marcos Antônio de Faria, gerente de preservação e restauração do STF. – Existe uma força-tarefa em torno de conhecimento, troca de informação, para que todo o acervo seja colocado à disposição da sociedade, mas alguns itens não terão condições de ser recuperados. Se para algum item for necessário buscar ajuda internacional, isso será feito.

A equipe do STF tem mantido contato por meio do WhatsApp e em reuniões com restauradores do Congresso e técnicos de universidades especializadas na área, como a Universidade Federal de Minas Gerais. Nesta tarde, os funcionários do STF trabalhavam no restauro de quadros com retratos de ex-ministros, móveis destruídos, painéis pintados, entre outros. Sobre a mesa de uma das restauradoras a cabeça de bronze da obra "Justiça" era polida. O objeto de bronze, que tem cerca de 50 centímetros de altura, foi arremessado pelos golpistas para fora do Palácio.

– Muito triste. Uma casa que a gente sempre cuidou, preservou, e encontrá-la assim danificada – lamenta Laís Evangelista, restauradora que trabalha há 26 anos no STF.

No dia 8 de janeiro, golpistas bolsonaristas atacaram a sede dos três Poderes da República e destruíram parte do acervo histórico dos palácios. Desde então, restauradores têm trabalhado para conseguir recuperar os bens da população brasileira que foram danificados pelos vândalos. Na última quinta-feira a Advocacia Geral da União pediu à Justiça Federal a ampliação do bloqueio de bens de acusados de financiar os atos golpistas. A intenção da AGU era ampliar de R$ 6,5 milhões para R$18, 5 milhões após o órgão contabilizar os prejuízos do STF.