Restaurante La Fiorentina, no Leme, reabre na próxima terça-feira

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Um ícone da boemia e da cena cultural carioca tem data para reestreia. O restaurante La Fiorentina reabre as portas – mais uma vez – a partir da próxima terça-feira (10). A tradicional casa no Leme, na Zona Sul do Rio, fundada em 1957, sofreu os efeitos da pandemia em meio a um impasse quanto a dívidas. Agora, se prepara para mais um capítulo da trajetória, prolongada com ajuda dos clientes e de artistas, público cativo da relação próxima com as artes.

Tudo no ambiente inspira história. As pilastras internas com nomes de artistas nacionais e internacionais – como de Fernanda Montenegro, Pelé, Erasmo e Roberto Carlos – são a prova da proximidade com a boemia da cidade, destino quase certo após apresentações teatrais. Nomes conhecidos seguem também nos pratos do cardápio, mantido sem alterações. Saborear tais memórias agora será possível diariamente no jantar, a partir das 7h, e de sexta-feira a domingo também no almoço, com início ao meio-dia.

As portas voltam a abrir a partir do jantar na próxima terça-feira. A ocasião será de comemoração, conta Osmar Peres , o “Catito”, ex-proprietário que agora está à frente para contribuir com a retomada ao lado de um investidor.

— É uma reabertura a partir das sete horas da noite, em que nós vamos comemorar, por tanto, a reabertura da Fiorentina. Não tem, assim, um evento. Alguns atores querem falar. O Tonico Pereira vai falar. Enfim, estamos convocando toda a classe artística, que sempre foi apoiada pela Fiorentina e que sempre apoiou a Fiorentina — conta Omar, que diz esperar também pelo prefeito Eduardo Paes.

Como a pandemia continua em cartaz, a casa funcionará com capacidade de 50% e com os protocolos de segurança, como álcool em gel e uso de máscara. O delivery continua não sendo o foco.

— Estamos chamando as pessoas que amam a Fiorentina a irem lá. Não tem uma festa — disse. — Nem é o momento de festejar, mas para comemorar, é uma linha tênue, mas existe isso, estamos comemorando a reabertura.

Em décadas de portas abertas, a casa apoiou mais de 500 peças de teatro na cidade e detém uma coleção fotográfica de mais de 300 imagens. As parcerias, segundo Omar, ajudaram na luta por manter o funcionamento.

Em maio, o espaço de 408 metros quadrados foi incluído pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) na relação de bens imateriais da cidade e também no Cadastro dos Negócios Tradicionais e Notáveis. A partir de agora, qualquer modificação no negócio precisa passar pelo aval do patrimônio. No mesmo mês, o espaço foi a leilão devido a uma dívida. Segundo o empresário, não houve propostas.

— O movimento cultural em defesa da Fiorentina foi tão forte, a partir do tombamento, que o ideal será chegar a um acordo, basta o banco querer esse acordo. Mas nós estamos confiando na Justiça que não vai haver nenhum problema — afirmou.

Mesmo ainda sem a volta do público, o tradicional salão tem movimento. O empresário conta que o espaço é usado para o remake de “Pantanal”, uma produção da Rede Globo.

— Já volta com atividades culturais — brinca Omar.

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