Restos mortais de general francês morto nas Guerras Napoleônicas são devolvidos à França

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Duzentos anos para chegar à morada final, num contexto de polêmica política. Os restos mortais de um general francês, que morreu em 1812 durante a campanha russa de Napoleão, chegaram à França nesta terça-feira (13).

Charles Étienne Gudin de la Sablonnière foi morto em 19 de agosto por uma bala de canhão inimiga durante a batalha de Valoutina Gora, 20 quilômetros a leste de Smolensk, uma cidade russa perto da atual fronteira com Belarus.

Os restos mortais do falecido chegaram no início da tarde em um caixão branco, carregado por voluntários em trajes de época e descendentes, antes de serem cobertos com a bandeira nacional. Os ossos foram então expostos por alguns minutos.

A ministra delegada para os Veteranos de Guerra, Geneviève Darrieussecq, presidiu a cerimônia em um hangar do Museu do Ar e Espaço, adjacente ao aeroporto de Le Bourget.

Ela anunciou o enterro do general nos Inválidos, em 2 de dezembro, aniversário da Batalha de Austerlitz, de acordo com o desejo de várias associações. "Ainda temos personagens que não podemos negar", comentou na segunda-feira à AFP Joëlle Garriaud-Maylam, senadora dos franceses que vivem no exterior e presidente honorária da associação Paris-Napoleão 2021.

O caso demorou a receber um desfecho por uma série de polêmicas.

O general foi encontrado graças a Pierre Malinowski, historiador francês e ex-soldado ligado à extrema-direita e com apoio do Kremlin. Ex-assistente parlamentar de Jean-Marie Le Pen, é presidente da Fundação Franco-Russa para Iniciativas Históricas.

Além disso, as relações entre Paris e Moscou então deterioradas, principalmente em torno do destino do adversário político russo Alexei Navalny, cuja libertação o Ocidente exige.

Seja qual for o motivo, o presidente Emmanuel Macron não esteve presente em Le Bourget. E os restos mortais do soldado foram repatriados em um A320 financiado pelo oligarca russo Andrey Kozystin, de acordo com diversos meios de comunicação.

"Não é hora para polêmica, temos laços memoriais muito importantes com a Rússia", concluiu Darrieussecq após a cerimônia.

Amputado da perna esquerda, o general, considerado muito apreciado por Napoleão, morreu de gangrena três dias após o ferimento. Ele tinha 44 anos.

"Coisa rara, Napoleão escreveu à condessa Gudin uma carta de condolências na qual dizia: 'a perda é grande para você; é também para mim'", segundo o site da Fundação Napoleão.

- Precursor dos comandos -

"O general participou das guerras da República, do Consulado e depois do Império", informou o ministério em nota.

Ele lutou nos exércitos do Norte, do Reno, depois do Danúbio, no qual se destacou em várias batalhas. Incluindo Wagram em 1809.

"Ele introduziu no campo de batalha técnicas de ataques surpresa em pequenos grupos, o que lhe deu a reputação de precursor dos comandos", segundo o ministério.

Por muito tempo, os testemunhos divergiram quanto à localização de seu túmulo.

Mas uma equipe franco-russa de arqueólogos retomou as pesquisas em maio de 2019 por iniciativa de Pierre Malinowski. As análises de DNA permitiram comprovar que os restos mortais encontrados em julho do mesmo ano eram mesmo do general, cujo nome está gravado no Arco do Triunfo.

No momento de sua morte, em agosto de 1812, o exército francês estava em plena atividade e nada previa o desastre da campanha russa. Com a captura de Smolensk em 16 de agosto, Napoleão abriu caminho para Moscou, 400 quilômetros mais a leste.

Mas três dias depois, durante a batalha de Valoutina Gora, localizada a menos de 15 quilômetros de Smolensk, o exército russo escapou da armadilha das tropas francesas. Depois de confiar Gudin a seu médico pessoal, Napoleão o visitou e o abraçou pouco antes de sua morte em 22 de agosto, segundo relatos.

Seu coração, retirado após a morte, está hoje no cemitério parisiense de Père-Lachaise.

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