Restrições de acesso à Niterói, com bloqueio de táxis de outros municípios, já estão valendo

Leonardo Sodré
Placa pede que população evite sair de casa: para conter coronavírus, cidade terá importantes acessos totalmente bloqueados até o próximo dia 18

NITERÓI - Como medida recomendada pela Fundação Municipal de Saúde para evitar a circulação de pessoas entre municípios e conter o avanço do novo coronavírus, começou ontem o bloqueio total de 21 dos 28 pontos que ligam Niterói a São Gonçalo e Maricá. Nos outros sete, que são os principais corredores viários, a passagem está liberada, exceto para táxis de outras cidades, que serão orientados por agentes de segurança e trânsito a darem meia-volta. A restrição vai durar até o dia 18 e inclui ainda a redução de 70% da frota de ônibus intermunicipais no Terminal João Goulart, no Centro. Amanhã, primeiro dia útil para os trabalhadores essenciais que não podem fazer o isolamento social, o esquema será testado.

A prefeitura de Niterói avalia que a diminuição da oferta no transporte público não provocará aglomerações no terminal nem nos ônibus — como as que ocorreram semana passada nos horários de rush nas barcas e no BRT da Zona Oeste do Rio. Isso porque o número de passageiros já está bem reduzido devido à proibição de linhas intermunicipais na capital, que completará três semanas na terça-feira.

Nos 21 pontos de bloqueio total do tráfego, a prefeitura anunciou o uso de blocos de concreto, já que não é viável remanejar forças de segurança para tantos lugares.

— São ruas e estradas vicinais da cidade que se conectam com Maricá e São Gonçalo — explica o secretário de Urbanismo e Mobilidade Urbana, Renato Barandier.

Os sete locais em que há bloqueio a taxistas de outras cidades são Avenida Central, na Região Oceânica; Estrada Caetano Monteiro, em Pendotiba; RJ-104 (Trevo de Santa Bárbara); Viaduto do Barreto; Rua Doutor March, também no Barreto; Avenida Feliciano Sodré (próximo à Praça Renascença); e na alça da Ponte Rio-Niterói que desce pela Alameda São Boaventura.

Acessos importantes, como a rampa que conecta a Ponte à Avenida Jansen de Mello, a Estrada de Itaipuaçu e as duas ligações feitas pela Venda da Cruz (bairro limítrofe com São Gonçalo), estão fechados com blocos de concreto. Somente na Zona Norte são dez pontos de bloqueio permanente; e na região de Pendotiba, seis.

ILHA DA CONCEIÇÃO

Para evitar que moradores da Ilha da Conceição tenham que passar pelos pontos de bloqueio, a Rua Benjamin Constant passará a funcionar em mão dupla entre o viaduto do Santana e o Ponto Cem Réis, e a pista da Feliciano Sodré será invertida no sentido Alameda, também no Ponto Cem Réis.

Os ônibus com destino à Alameda seguirão pelas ruas Marechal Deodoro e São Sebastião. E os que vão para a Avenida do Contorno seguirão pela Marechal Deodoro e pela Avenida Jansen de Melo.

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais na última quarta-feira, o prefeito Rodrigo Neves defendeu os bloqueios sob o argumento de que Niterói é, de acordo com o IBGE, a segunda cidade no Brasil que tem a maior circulação diária de pessoas de fora do município, perdendo apenas para Guarulhos (SP).

— Cerca de 250 mil pessoas de outras cidades circulam por dia em Niterói, praticamente metade da nossa população da cidade. Precisamos tomar essa medida para achatar a curva da contaminação pelo coronavírus — disse o prefeito na live.

Na ocasião, Rodrigo Neves chegou a anunciar que o bloqueio nos 28 pontos de acesso à cidade valeria também para carros de passeio e motocicletas e que só trabalhadores essenciais, com vínculo empregatício comprovado, poderiam passar. Mas uma série de questionamentos da população o fez recuar e estabelecer a restrição nos sete pontos principais apenas para taxistas de fora de Niterói.

ACESSO À SAÚDE

Presidente da Comissão de Saúde da Câmara, o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) se mostra preocupado com o acesso da população de outras cidades aos equipamentos de saúde em Niterói:

— Além de termos que respeitar o princípio da universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS), nossa cidade é gestora da Região Metropolitana II. Recebemos e repassamos recursos do SUS para unidades como o Hospital Universitário Antonio Pedro, e jamais poderemos limitar o acesso de nenhum cidadão. Só para o Antonio Pedro são repassados cerca de R$ 45 milhões por ano para assegurar atendimento aos pacientes dessa região. Niterói tem ainda uma rede de saúde suplementar considerável, e esse acesso precisa ser garantido àqueles que têm planos de saúde.

A prefeitura reforça que as pessoas que precisam chegar a Niterói, seja para trabalhar em setores essenciais ou para tratamento médico, podem usar ônibus intermunicipais e veículos particulares. Diz também que ainda estuda outras medidas de restrição mais amplas, mas elas dependerão do avanço ou recuo dos casos de coronavírus em Niterói. A suspensão das aulas na rede pública foi estendida até o próximo dia 30, e o município não descarta prolongar o prazo da proibição de funcionamento de parte do comércio, que se encerra nesta sexta-feira.

Até o fechamento desta edição, Niterói tinha 1.305 casos suspeitos e 63 comprovados de Covid-19: 17 estão hospitalizados (dez em UTI); 22 em isolamento domiciliar, acompanhados pela Fundação Municipal de Saúde; 23 recuperados; e houve uma morte, segundo a prefeitura.

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