Restrições aos viajantes chineses são "inaceitáveis"

"Inaceitáveis" - é a palavra que o governo chinês escolhe para qualificar as restrições impostas por vários países aos viajantes provenientes da China por causa da Covid-19. O adjetivo vem com a ameaça da imposição de "medidas recíprocas".

Nas últimas semanas, Pequim começou a levantar as restrições à circulação impostas há quase três anos por causa da pandemia de Covid-19. O número de casos da doença disparou e a comunidade internacional queixa-se de falta de informação credível sobre a evolução da doença no país.

A porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros diz que o país está disposto a "reforçar a comunicação com a comunidade internacional e a trabalhar em conjunto para superar a epidemia". Mao Ning considera no entanto que as restrições carecem de base científica e insinua que as medidas são tentativas de "manipulação" com fins políticos.

"Esta decisão carece de base científica e algumas práticas são inaceitáveis. Opomo-nos firmemente a quaisquer tentativas de manipulação de medidas de prevenção de epidemias com vista a atingir objectivos políticos. Adoptaremos medidas compensatórias com base no princípio da reciprocidade," declarou em conferência de imprensa a porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.

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Lista de países que anunciaram restrições à entrada de viajantes provenientes da China - Euronews

Ao todo, 12 países, incluindo França, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, reintroduziram testes obrigatórios de Covid-19 para passageiros que chegam da China. A União Europeia vai analisar uma abordagem conjunta numa reunião na quarta-feira.

O governo chinês, que durante os últimos anos adoptou uma estratégia de "zero COVID" que impunha duras restrições internas e externas, foi pressionado pela popuação a aliviar as medidas. Organizações não governamentais dão conta de uma explosão de casos que esgotaram já a capacidade de resposta dos hospitais e estimam mais de um milhão de mortos.