Restrições israelenses podem transformar Cisjordânia em 'outra Gaza', alerta HRW

As novas restrições israelenses à entrada de estrangeiros na Cisjordânia isolam ainda mais os palestinos residentes deste território ocupado, que pode se tornar "outra Gaza", alertou a ONG Human Rights Watch (HRW) nesta segunda-feira (23).

Publicada em fevereiro de 2022, a nova norma afeta os estrangeiros que desejam entrar na Cisjordânia - com exceção de Jerusalém Oriental, anexado por Israel - para residir, trabalhar, trabalhar com voluntários ou estudar.

O regulamento foi severamente criticado pela União Europeia, Estados Unidos e várias organizações de defesa dos direitos humanos.

A data de entrada em vigor destas restrições foi adiada, após uma série de recursos na Justiça. Desta forma, o Cogat, órgão do Ministério da Defesa de Israel que supervisiona as atividades civis nos territórios palestinianos, publicou uma nova versão em setembro.

"Ao tornar mais difícil para as pessoas poderem passar tempo na Cisjordânia, Israel dá mais um passo à transformação da Cisjordânia em outra Gaza, onde dois milhões de palestinos vivem praticamente isolados do mundo exterior há mais de 15 anos", escreveu a HRW em um comunicado.

"Esta política é pensada para enfraquecer os laços sociais, culturais e intelectuais que os palestinos tentam manter com o mundo exterior" e ameaça "isolar ainda mais os palestinos, separando-os de seus familiares e da sociedade civil global”, lamentou a ONG americana.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967 e impõe um bloqueio na Faixa de Gaza desde que o movimento islamista Hamas assumiu o controle, em 2007.

Entre as medidas mais controversas deste novo regulamento estão as que se aplicam a estrangeiros que desejam se reunir com seu cônjuge palestino.

Contactado pela AFP, o Cogat não quis fazer nenhum comentário.

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