Reta final das eleições israelenses, a 'nação da vacina' para Netanyahu

Guillaume LAVALLÉE
·2 minuto de leitura
Cartaz eleitoral em Tel Aviv, 12 de março de 2021

Israel realizará suas quartas eleições parlamentares em menos de dois anos em 23 de março, desta vez dentro da estrutura de um intenso programa de vacinação contra a covid-19, que se tornou um elemento-chave na campanha do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Em 2 de março de 2020, o coronavírus começa a causar estragos no Oriente Médio, e os israelenses são convocados às urnas pela terceira vez em poucos meses, depois que os diferentes partidos não chegaram a um acordo sobre um governo de coalizão.

Um ano depois, Israel retorna às urnas em 23 de março e o coronavírus ainda está presente. Mas, desta vez, com o governo implementando uma rigorosa campanha de vacinação graças a um convênio que garantiu o fornecimento dinâmico de doses dos laboratórios Pfizer/BioNTech, com a condição do fornecimento de dados biomédicos sobre os efeitos de sua vacina.

- "Laboratório do mundo" -

À frente do "laboratório mundial", o primeiro-ministro Netanyahu, há quinze anos no poder, os últimos doze consecutivos, joga esta cartada ao máximo, mencionando a "Nação Vacina".

Acusado de corrupção em diversos casos que geraram protestos contra ele, Netanyahu lançou sua campanha sendo o primeiro vacinado no país ao vivo diante de câmeras de televisão.

Atualmente, mais de quatro milhões de israelenses (45% da população) já receberam duas doses da vacina Pfizer, em um país criticado por fornecer um pequeno número de doses aos palestinos.

“Você sabe quantos primeiros-ministros e presidentes ligam para Pfizer e Moderna? Eles não atendem, mas atenderam a minha ligação e eu os convenci de que Israel seria um modelo para a vacina (...). Quem vai continuar com isso? Nem Lapid, Bennett ou Gideon", disse esta semana, citando rivais.

Nas últimas três eleições, o Likud de Netanyahu terminou quase empatado com "Blue-White", o partido centrista do ex-comandante do exército Benny Gantz.

Com o objetivo de unir o país contra o coronavírus, Gantz formou uma coalizão governamental com Netanyahu na primavera de 2020. Este gabinete implodiu após sete meses e resultou em novas eleições. Mas, desta vez, com a popularidade de Gantz em queda livre.

Netanyahu agora não tem um oponente, mas três: o centrista Yair Lapid, o conservador Gideon Saar e o radical de direita Naftali Bennett.

Últimas pesquisas: Netanyahu lidera com 27-30 dos 120 assentos no Knesset (Parlamento), 17-20 para Lapid, uma dúzia para o partido Yamina de Bennett, uma dezena para Saar e o resto diluído entre várias formações.

Com essas pesquisas, Netanyahu e seus aliados da direita religiosa não alcançariam a maioria necessária (61 cadeiras), nem Lapid, o que poderia dar a Bennett "a chave do governo".

gl/cgo/vl/gk/elm/age/eg/ap