Retorno às aulas presenciais em Duque de Caxias tem paralisação e pais com receio

Cíntia Cruz
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A volta às aulas presenciais em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi marcada por paralisação de professores e pelo medo dos responsáveis. O retorno foi anunciado em decreto no último dia 3, mas só na sexta-feira, dia 5, os profissionais foram avisados que seria presencial.

— A Secretaria Municipal de Educação enviou um protocolo, mas sem que nós pudéssemos conversar, sem tempo de estudá-lo e de saberem a realidade da escola. Aqui estudam cerca de 900 alunos. Não haveria condições de manter o distanciamento — afirmou uma profissional da Escola Municipal Nísia Vilela Fernandes, unidade no bairro São Bento que aderiu à paralisação.

Na Escola Municipal José Camilo dos Santos, em Gramacho, o primeiro dia foi de orientação aos responsáveis. A partir desta sexta-feira, os alunos já deverão comparecer à unidade. Mesmo com a determinação da prefeitura, muitos pais ainda têm medo de que seus filhos se contaminem.

A autônoma Uiara Maira Fonseca da Silva, de 28 anos, é mãe de Jamilly, de 10 anos, e Débora, de 8. Ela contou que só vai levar as crianças para a escola porque teme perder a vaga:

— Tenho medo porque não tem professor vacinado. Sem falar das outras crianças. A escola só vai abrir porque o prefeito já mandou a merenda.

A dona de casa Priscila do Nascimento, de 31 anos, matriculou sua filha, Ana Júlia, de 7 anos, no 1º ano da escola. Antes, a menina estudava na rede particular, mas, durante a pandemia, precisou deixar a escola. Priscila ainda tem dúvidas se levará a filha para as aulas presenciais:

— Ainda não sei. Estou com medo porque ela tem problemas respiratórios. Acho que a prefeitura poderia esperar até depois da vacina.

Uma profissional da rede municipal, que também não quis se identificar, disse que houve pouco tempo para que a escola pudesse se organizar para receber os alunos:

— Nós nos sentimos desrespeitadas. Não tivemos tempo hábil para organizar tudo. Anunciaram só na sexta. Poderíamos até voltar, mas seguindo o protocolo, fazendo escalonamento.

Na Escola Municipal Jair Alves de Freitas, na Prainha, parte dos profissionais aderiu à paralisação. A região onde está a unidade sofre com falta d'água e, na unidade, um caminhão-pipa fazia o abastecimento.

Renata Roseo, coordenadora geral do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe) de Duque de Caxias, disse que a paralisação é apenas presencial e que os profissionais seguem trabalhando de forma remota:

— Vamos reunir o conselho escolar e os profissionais da escola para elaborar um documento e encaminhar para a Secretaria Municipal de Educação e para o Sepe falando da dificuldade das escolas para reabrirem. O decreto do dia 3 ficou em aberto. Era um documento dúbio porque não dizia se o retorno seria presencial ou online. A paralisação será hoje e amanhã. Dependendo do que o governo retornar, vamos decretar a "Greve pela vida" e permaneceremos apenas com ensino remoto.

Procurada, a Prefeitura de Duque de Caxias ainda não respondeu.