Retratos do pai de Simone Tebet, Calheiros e Sarney são destruídos no Senado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cinco retratos a óleo de ex-presidentes do Senado foram rasgados durante a invasão ao Congresso, no domingo (8). Uma delas, tem a imagem de Ramez Tebet, pai da ministra do planejamento Simone Tebet, que esteve no cargo entre 2001 e 2003.

Duas telas de Renan Calheiros, referentes a dois dos seus três mandatos, 2005 a 2007 e 2013 a 2015, foram danificadas. Outras duas imagens do ex-presidente José Sarney também foram rasgadas. A tela correspondia a dois dos três mandatos, 2003 a 2005 e 2009 a 2013.

Todos os políticos citados são lideranças do MDB, que compuseram alianças com o PT, do presidente Lula, em seus contextos históricos. Desse modo, o ataque à galeria do Museu do Senado, que fica no salão nobre, parece ter tido alvos específicos.

Simone Tebet, depois de se apresentar nas eleições presidenciais como terceira via, apoiou Lula no segundo turno e agora é ministra do governo petista. Calheiros foi relator da CPI da Covid e fez oposição ao governo Bolsonaro. Já Sarney, compôs com Lula uma aliança histórica, renovada para as eleições de 2022.

Urbano Vilella começou a pintar ainda na década de 1960. Logo desenvolveu a técnica de pintura a óleo, sobretudo retratos. Há mais de vinte anos, se dedica a retratar os presidentes do Senado. Em nota, ele condenou o ataque ao museu. "Tal comportamento representa um total desprezo à arte de um modo geral, à nossa história e identidade social, próprio dos grupos radicais e extremistas."

Vilella iniciou o trabalho depois de um convite do próprio Sarney, em seu primeiro mandato, e se tornou uma figura conhecida entre os políticos de Brasília, boa parte de sua clientela. Naquele momento, Sarney, que tem apreço por obras de arte, se encantara com a técnica de Vilella, numa exposição no Congresso.

A tradição de retratar os presidentes do Senado já causou, porém, algumas polêmicas. Em 2017, o Congresso pagou R$ 6,9 mil somente para uma das pinturas de Calheiros.

Segundo Maciel Pereira, diretor da secretaria de Gestão e Documentação do Senado, servidores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, avaliam nesta terça-feira (10) os prejuízos ao Museu do Senado.

"Em relação a outros locais, como a Câmara e o STF, não tivemos tanta destruição, mas obras de valor inestimável também foram danificadas", diz ele. Entre elas, uma tapeçaria de Roberto Burle Marx e o painel vermelho de Athos Bulcão. "Estamos fazendo a limpeza e já avaliando possíveis contratações para reparar os danos", afirmou Pereira