Retrospectiva 2012 - Guerra civil na Síria

Dois anos depois do início da Primavera Árabe, o Oriente Médio continua imerso em violência, com uma guerra civil que arrasa a Síria e já matou milhares desde março de 2011. Estima-se que mais de 40 mil pessoas foram mortas nos embates entre as forças leais ao presidente sírio Bashar Al-Assad e o exército rebelde que tenta derrubá-lo.

Metade das vítimas são civis e a outra, rebeldes e soldados, segundo dados do Observatório Sírio para os Direitos Humanos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) afirma que mais de 500 mil sírios foram registrados como refugiados ou estão em processo de registro em quatro países vizinhos à Síria ou nos países do Norte da África.

A ONU exauriu seus esforços para encontrar uma saída negociada para a Síria, cujo conflito mediado sem sucesso pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o levou a acusar a comunidade internacional de fechar os olhos para os graves crimes que estão sendo cometidos no país árabe.

Annan viajou incansavelmente a Damasco, Moscou, Pequim e às capitais ocidentais para tentar acumular apoios. Mas, na última semana de julho, seu porta-voz, Ahmad Fawzi, convocou de surpresa a imprensa para anunciar, "em off", que seu chefe estava a ponto de renunciar após constatar que nem as partes em conflito nem os principais agentes da comunidade internacional estavam trabalhando para encontrar uma solução.

A paciência de Annan se esgotou depois que China e Rússia voltaram a exercer seu duplo veto no Conselho de Segurança em 19 de agosto para rejeitar novas sanções econômicas à Síria.
A renúncia não demorou a chegar. No dia 2 de agosto, o diplomata ganês jogou a toalha após chegar à conclusão de que nas circunstâncias atuais é impossível uma saída política. "É impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político", disse Annan em entrevista coletiva.

O confronto sírio evoluiu rapidamente para uma guerra civil desde que o governo de Al-Assad, que assumiu o poder após a morte de seu pai em 2000, abriu fogo contra manifestantes pró-democracia em março de 2011.

Retrospectiva 2012