Retrospectiva 2020: relembre os fatos marcantes da política

Gabriela Oliva
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Givaldo Barbosa/Agência O Globo

RIO — No segundo ano de mandato, o presidente Jair Bolsonaro conduziu uma inflexão que, por um lado, garantiu mais fôlego no Congresso e, por outro, incomodou setores alinhados ao bolsonarismo desde a campanha eleitoral de 2018.

A aproximação com o centrão, cujo símbolo máximo é o apoio a Arthur Lira (PP-AL) na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, evitou que as crises sanitária e econômica provocadas pelo coronavírus virassem também um transtorno político para o Palácio do Planalto.

Os novos governistas, de início, provocaram incômodo na ala ideológica — que já havia sido desprestigiada com a demissão de Abraham Weintraub do Ministério da Educação, em junho. A pasta, aliás, teve dois outros titulares até o fim do ano: Carlos Alberto Decotelli e Milton Ribeiro, que permanece no posto.

O discurso anticorrupção, que ajudou a embalar a vitória sobre o PT há dois anos, também foi abalado por uma mudança no primeiro escalão: a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em abril. O ex-aliado acusou Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal, o que está sendo investigado em um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Gravações de uma reunião ministerial citada por Moro como uma das provas também desgastaram o governo.

Outras mudanças ocorreram na Saúde. Em abril, com um mês de pandemia, o presidente demitiu Luiz Henrique Mandetta — o então ministro vinha discordando publicamente do presidente, que ao longo do ano todo minimizou os efeitos do coronavírus, que chegou a chamar de “gripezinha”. No mês seguinte, foi a vez de Nelson Teich deixar o cargo, desde então ocupado por Eduardo Pazuello.