Retrospectiva 2021: Relembre 21 frases de Bolsonaro que marcaram o ano

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  • Jair Bolsonaro
    38.º presidente do Brasil
Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during a ceremony on the International Day Against Corruption at Planalto Palace in Brasilia, on December 9, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during a ceremony on the International Day Against Corruption at Planalto Palace in Brasilia, on December 9, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) sempre usou a seu favor a característica de ser "verdadeiro" e "sincero". Para opositores, o atributo poderia ser classificada como "falta de filtro" ou até como quebra de decoro, pelo excesso de palavrões. 

Ao longo de 2021, diversas frases de Bolsonaro marcaram o ano, desde a postura antivacina até agressões contra jornalistas e contra a imprensa. 

Relembre 21 frases de Jair Bolsonaro que marcaram 2021: 

  • “É pra enfiar no rabo de vocês da imprensa essa lata de leite condensado”

No início de 2021, a imprensa revelou que, em 2020, o governo federal gastou R$ 15 milhões em leite de condensado. O presidente Jair Bolsonaro não gostou das críticas que se seguiram após a divulgação da informação.

Como reação, Bolsonaro disse que a lata de leite condensado “é pra enfiar no rabo de vocês da imprensa”, além de ter chamado veículos de comunicação de “imprensa de merda”.

  • “Tem idiota que diz 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo”

SAO PAULO, BRAZIL - JULY 24: People take part in a demonstration against the Brazilian President Jair Bolsonaro's handling of the coronavirus (COVID-19) pandemic in Sao Paulo, Brazil, on July 24, 2021. - Thousands of Brazilians took to the streets Saturday to protest against President Jair Bolsonaro, who faces an investigation over an allegedly corrupt Covid vaccine deal. (Photo by Cristina Szucinski/Anadolu Agency via Getty Images)
Falta de vacinas foi alvo de protestos contra Jair Bolsonaro por parte de opositores (Foto: Cristina Szucinski/Anadolu Agency via Getty Images)

O Brasil tardou a comprar vacinas contra a covid-19, e o presidente da República não se mostrava feliz quando era cobrado por adquirir o imunizante. Uma das vezes, Bolsonaro reagiu com agressividade: “Tem idiota que diz 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo”.

Com o desenvolvimento da CPI da Covid, soube-se que a farmacêutica Pfizer chegou a mandar dezenas e-mails ao Ministério da Saúde até que conseguisse um acordo com o governo brasileiro.

  • “Pode ser que, lá na frente, falem que a chance é zero, que era um placebo. Tudo bem, me desculpe, tchau. Pelo menos não matei ninguém”

Ao longo da pandemia de covid-19, Jair Bolsonaro desprezou vacinas, mas sempre incentivou o uso da cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a doença. Sem reconhecer que o remédio não funciona, Bolsonaro afirmou que, caso um dia comprovassem que a cloroquina era “um placebo”, ele “pelo menos não matou ninguém”.

BRASILIA, BRAZIL - SEPTEMBER 16: President of Brazil Jair Bolsonaro shows a box of chloroquine medicine during the ceremony in which Eduardo Pazuello takes office as Minister of Health amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the on September 16, 2020 in Brasilia. Pazuello took over as interim minister on May 16 this year. Brazil has over 4.382,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 133,119 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Mesmo comprovadamente ineficaz contra a covid-19, Bolsonaro insistiu no uso da cloroquina (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
  • “O governador de vocês é um vagabundo, caralho”

As brigar entre João Doria e Jair Bolsonaro também marcaram o ano de 2021. Em uma reunião com aliados em São Paulo, Bolsonaro expressou o descontentamento com Doria: chamou o tucano de vagabundo. Outra ofensa bolsonarista comum é chamar Doria de “calça apertada” – mas até o próprio tucano já adotou o apelido. Quando se imunizou, Doria disse que estava “vacinado e de calça apertada”.

Apesar do “BolsoDoria” em 2018, os dois viraram desafetos e, em 2022, devem brigar pela presidência da República.

  • “Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados”

A ciência já comprovou em diversas ocasiões que as máscaras são muito importantes para evitar o espalhamento do coronavírus. Mas, desde o início de 2021, o presidente Jair Bolsonaro tem insistido nas tentativas de revogar o uso da máscara. Entre as promessas, Bolsonaro disse que o Ministério da Saúde emitiria um parecer para desobrigar o uso do item de proteção para vacinados os contaminados.

O uso da máscara continua obrigatório nos estados brasileiros em locais fechados. Em alguns entes da federação, a liberação aconteceu em espaços abertos.

  • “Mais importante que a vida, é a liberdade”

Em dezembro, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que, às vezes, a liberdade é mais importante que a vida. "É melhor perder a vida que a liberdade", declarou o ministro. Queiroga não escondeu: a autoria da frase não era dele, mais de Jair Bolsonaro, que já repetiu a fala em diversas ocasiões.

Com o objetivo de criticar, mais uma vez, medidas de isolamento social, Bolsonaro disse: “Mais importante que a vida, é a liberdade”.

  • “Estou sem máscara em Guaratinguetá, tá feliz agora? Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa. Cala a boca.”

Os ataques contra a imprensa são uma marca do governo de Jair Bolsonaro. Em uma visita ao interior de São Paulo, ele atacou verbalmente uma repórter do grupo Globo, que o questionou sobre estar sem máscara.

Este não foi um caso isolado. Relembre outras ocasiões em que o presidente atacou a imprensa.

  • Bruno Covas: “Aquele que morreu”

Em maio de 2021, o ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, morreu de câncer. Em agosto, com o objetivo de criticar medidas tomadas de restrição de circulação tomadas por Covas, Bolsonaro se referiu ao prefeito como “aquele que morreu”, sem falar o nome de Bruno Covas.

“Um fecha São Paulo e vai para Miami. O outro, que morreu, fecha São Paulo e vai ver Palmeiras e Santos no Maracanã. Esse é o exemplo…”, declarou a apoiadores.

  • “O Supremo, na verdade, cometeu um crime ao dizer que prefeitos e governadores de forma indiscriminada poderiam, simplesmente, suprimir toda e qualquer direito previsto no inciso 5º da Constituição, inclusive o ‘ir e vir’”

O Supremo Tribunal Federal foi um dos principais alvos dos ataques do presidente da República ao longo de 2021. A Corte determinou que os estados e municípios teriam autonomia para tomar as próprias medidas para combater a pandemia de covid-19.

Bolsonaro classificou a decisão do STF como “um crime” e usou a Constituição Federal para justificar a crítica. Ao longo do ano, o argumento voltou a aparecer diversas vezes.

  • “O Brasil, em relação a outros países, é um dos que melhor... Entre os cinco países é o quinto que melhor se comportou no período da pandemia”

Mesmo com o elevado número de mortes em decorrência da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro manteve sempre o discurso de que o país ia bem no combate à pandemia. Em uma derrapada, ele afirmou que o Brasil “entre os cinco países é o quinto que melhor se comportou no período da pandemia”.

  • “O filho da puta ainda trai gente dessa maneira. Aquele filho da puta do Barroso"

Outro tema que marcou o ano de 2021 na política foi a desconfiança em relação às urnas eletrônicas. Jair Bolsonaro fez diversas críticas ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luis Roberto Barroso. Durante um evento, no meio de uma aglomeração, Bolsonaro não poupou o ministro do STF de xingamentos: "Aquele filho da puta do Barroso", disse na ocasião o presidente da República

  • “Não vamos aceitar que pessoas como Alexandre de Moraes continua a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa constituição”

SAO PAULO, BRAZIL - SEPTEMBER 07: President of Brazil Jair Bolsonaro speaks to supporters during a demonstration on Brazil's Independence Day at paulista Avenue on September 07, 2021 in Sao Paulo, Brazil. Brazilians have taken the streets as they commemorate their Independence Day to show both support and rejection for Jair Bolsonaro's administration. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Jair Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista, em 7 de setembro (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

Um dos momentos mais marcantes de 2021 foi o 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, que ganhou roupagens bolsonaristas, com manifestações a favor do presidente e contra o Supremo Tribunal Federal.

Na Avenida Paulista, Jair Bolsonaro fez ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes: “Não vamos aceitar que pessoas como Alexandre de Moraes continua a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa constituição”, declarou.

Para acalmar os ânimos, dias depois, Bolsonaro contou com o apoio do ex-presidente Michel Temer, que intermediou uma conversa entre o presidente e Moraes por telefone, além de ter redigido uma carta, considerada como um recuo de Bolsonaro.

  • “Eu decidi não tomar mais a vacina. Eu estou vendo novos estudos, a minha imunização está lá em cima, para que vou tomar a vacina? Seria a mesma coisa que você jogar R$ 10 na loteria para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso”

Inicialmente, o discurso do presidente Jair Bolsonaro era de que ele tomaria vacina após todos os brasileiros estarem imunizados. Ao longo do ano de 2021, as declarações do presidente mudaram. A conclusão final de Bolsonaro foi que não tomaria vacina.

Como argumento, ele colocou em dúvida a eficácia dos imunizantes disponíveis e disse acreditar que a imunidade estaria boa porque já contraiu covid-19 – a ciência, no entanto, comprova que nada impede que uma pessoa que teve a doença não possa ser reinfectado.

“Eu decidi não tomar mais a vacina. Eu estou vendo novos estudos, a minha imunização está lá em cima, para que vou tomar a vacina? Seria a mesma coisa que você jogar R$ 10 na loteria para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso”, declarou o presidente. Todas as vacinas utilizadas no Brasil têm eficácia e segurança atestada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

  • “Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram um legado de inflação especialmente nos gêneros alimentícios no mundo todo”

Brazil's President Jair Bolsonaro puts back on a protective facemask due to the coronavirus disease (Covid-19) pandemic after speaking at the 76th Session of the UN General Assembly on September 21, 2021 in New York. - The summit will feature the first speech to the world body by US President Joe Biden, who has described a rising and authoritarian China as the paramount challenge of the 21st century. (Photo by EDUARDO MUNOZ / POOL / AFP) (Photo by EDUARDO MUNOZ/POOL/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU (Foto: EDUARDO MUNOZ/POOL/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro discursou na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na abertura do evento. Na fala, o mandatário brasileiro criticou medidas contra a covid-19 e repetiu o discurso de que as restrições de circulação atrapalharam a economia.

Pelas regras, a ONU não permite a entrada de pessoas que não se vacinaram, como o presidente diz ser seu caso. No entanto, a entidade abre exceções para chefes de estado.

  • “Quantas vezes eu choro no banheiro em casa? Minha esposa nunca viu. Ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte, acho que ela tem razão até”

Durante um evento em uma igreja evangélica, Bolsonaro revelou momentos de fragilidade, escondidos até mesmo da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. “Cada vez mais nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar as nossas forças. Quantas vezes eu choro no banheiro em casa? Minha esposa nunca viu. Ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte, acho que ela tem razão até”, disse o presidente.

Segundo o presidente, ele age dessa forma em função da grande responsabilidade do cargo que ocupa. “O que me faz agir dessa maneira? Eu não sou mais um deputado. Se ele errar um voto, pode não influenciar em nada. Um voto em 513. Mas uma decisão minha mal tomada, muita gente sofre. Mexe na bolsa, no dólar, no preço do combustível.”

  • “Já dei um bom dia muito especial para ela hoje”

Em uma solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro desejou bom dia aos presentes – menos para Michelle, “porque eu já dei um bom dia muito especial para ela hoje”, e ri em seguida. A situação gerou constrangimento ao ser divulgada nas redes sociais. Assista:

  • “Não tem como tirar o Bolsa Família do pessoal, como alguns querem. São 17 milhões que não têm como ir mais para o mercado de trabalho. Com todo respeito, não sabem fazer quase nada”

O Bolsa Família foi extinto no governo do presidente Jair Bolsonaro, substituído pelo Auxílio Brasil. Em entrevista a RedeTV! em Manaus, Bolsonaro criticou os beneficiários do programa social e afirmou que eles não conseguem entrar no mercado de trabalho.

“Não tem como tirar o Bolsa Família do pessoal, como alguns querem. São 17 milhões que não têm como ir mais para o mercado de trabalho. Com todo respeito, não sabem fazer quase nada. O que a juventude aprendeu com 14 anos do PT, tendo o ministro [Fernando] Haddad lá na Educação?”

  • "Nossa Amazônia, por ser uma floresta úmida, não pega fogo"

A temática da Amazônia e do meio ambiente pautaram o ano de 2021. As queimadas e o desmatamento bateram recordes. O desmatamento na Amazônia brasileira aumentou quase 22% entre agosto de 2020 e julho de 2021, marcando um recorde nos últimos 15 anos, segundo dados oficiais, uma tendência que o governo de Jair Bolsonaro promete reverter com ações mais "contundentes".

Em diversas ocasiões, Bolsonaro usou o falso argumento que a umidade da região amazônica fazia com que a floresta não pegasse fogo. A fala foi feita em Dubai, quando o presidente conversava com investidores. 

Em 2020, Bolsonaro já havia usado o mesmo argumento durante a abertura da Assembleia Geral da ONU

  • “É igual ao modes. Lembra do modes? Bacana, né, não sabia a mulher começou a menstruar no meu governo, no governo do PT não menstruava, no PSDB não menstruava também”

A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) propôs um projeto de lei cujo objetivo era a distribuição de absorventes menstruais. A medida foi aprovada no Congresso, mas foi vetada por Jair Bolsonaro, sob a justificativa de que o projeto não previa uma fonte do dinheiro que seria investido para a compra dos absorventes, o que poderia gerar uma acusação de crime de responsabilidade.

A petista rebateu e afirmou que os absorventes menstruais seriam comprados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao comentar o veto, Bolsonaro foi irônico ao rebater as críticas. “Lembra do modes? Bacana, né, não sabia a mulher começou a menstruar no meu governo, no governo do PT não menstruava, no PSDB não menstruava também”, declarou, querendo dizer que PSDB e PT não foram criticados por não adotarem medida semelhante.

  • “Quando eu falo em armamento, né, reduzir imposto de importação de armas, [dizem] ‘eu não como armas’. Ué, então, já que você come feijão, você pega seu estilingue e atira feijão no cara, sem problema nenhum”

A flexibilização do armamento sempre foi uma pauta cara ao presidente Jair Bolsonaro. Recentemente, ao conversar com apoiadores, Bolsonaro rebateu um argumento contrário à medida. Em meio à inflação e ao aumento do preço dos alimentos, opositores questionam o presidente sobre a validade de direcionar esforços para a liberação de compra de armas, em vez de pesar na economia.

A apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro ironizou a preocupação: “Quando eu falo em armamento, né, reduzir imposto de importação de armas, [dizem] ‘eu não como armas’. Ué, então, já que você come feijão, você pega seu estilingue e atira feijão no cara, sem problema nenhum”.

  • “Uma filiação é como um casamento - não seremos marido e mulher, seremos uma família. Vocês todos fazem parte dessa nossa família.”

Entre os últimos atos do presidente Jair Bolsonaro em 2021, esteve a filiação ao PL. Desde 2019 sem partido, Bolsonaro escolheu o PL para ser sua nova legenda, a nova da carreira política de mais de 30 anos.

As negociações se estenderam durante semanas, em especial por uma discordância em relação ao apoio de que PL havia prometido a Rodrigo Garcia (PSDB), vice de João Doria (PSDB). Bolsonaro quer uma chapa com o ministro Tarcísio de Freitas para disputar o governo paulista. Após a resolução do problema, que acabou com uma “vitória” do presidente, Jair Bolsonaro se filiou ao PL no dia 30 de novembro.

Na ocasião, ele voltou a fazer uma analogia sobre eleição e casamento – mas fez questão de ressaltar a posição homofóbica. “Uma filiação é como um casamento - não seremos marido e mulher, seremos uma família. Vocês todos fazem parte dessa nossa família”, declarou Bolsonaro na ocasião.

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