Retrospectiva 2021: Relembre o que foi destaque na política internacional neste ano

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Apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Congresso dos EUA
Apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Congresso dos EUA.(Photo by Robert Nickelsberg/Getty Images)
  • Retrospectiva: Relembre o que foi destaque na política internacional em 2021

  • Invasão no Congresso dos EUA e 20 anos dos atentados de 11/09 são alguns dos acontecimentos que marcaram o ano

  • No Afeganistão, Taliban voltou ao poder com a saída das tropas norte-americanas do país

2021 representou um ano de grandes desafios para o mundo. Apesar do avanço da vacinação contra a covid-19, a pandemia ainda causou muitas mortes e deixou consequências na política, na economia e na educação.

No campo da política internacional, o ano de 2021 começou tenso nos Estados Unidos com a invasão do Congresso. Joe Biden assumiu o governo dos Estados Unidos, sob protesto de apoiadores do ex-presidente Donald Trump, que alegavam fraudes nas eleições.

O novo governo norte-americano retirou suas tropas do Afeganistão, e o Taliban voltou ao poder no país.

Os militares tomaram o poder em Mianmar.

Na América Latina, clima político tenso neste ano.

Relembre os principais acontecimentos internacionais em 2021

Invasão do Capitólio nos Estados Unidos

WASHINGTON, DC - JANUARY 06: Protesters supporting U.S. President Donald Trump gather near the east front door of the U.S. Capitol after groups breached the building's security on January 06, 2021 in Washington, DC. Pro-Trump protesters entered the U.S. Capitol building during demonstrations in the nation's capital.  (Photo by Win McNamee/Getty Images)
Apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Congresso dos EUA (Photo by Win McNamee/Getty Images)

Em todo o mundo, a invasão do Congresso dos Estados Unidos por apoiadores de Donald Trump foi destaque. Eleitores do republicano invadiram o Capitólio, sede do Congresso, no dia 6 de janeiro, quando era realizada a certificação de Joe Biden como presidente eleito do país.

O ato deixou cinco mortos, e quase 600 pessoas foram presas.

Após as eleições de novembro de 2020, ao ser derrotado pelo democrata, Trump se pronunciou diversas vezes alegando, falsamente, que havia perdido a votação devido a uma fraude.

Biden toma posse

Apesar da invasão, Joe Biden tomou posse no dia 20 de janeiro, ao lado Kamala Harris, que fez história ao ser a primeira mulher negra a ocupar a vice-presidência dos Estados Unidos.

"Precisamos acabar com esta guerra incivil que opõe vermelho contra azul, rural contra urbano, conservador contra liberal. Podemos fazer isso — se abrirmos nossas almas ao invés de endurecer nossos corações", declarou Biden, na cerimônia de posse.

Posse do presidente dos EUA, Joe Biden
Posse do presidente dos EUA, Joe Biden (Photo by Rob Carr/Getty Images)

Trump desrespeitou um último protocolo em seu caminho antes de deixar a Casa Branca quando se recusou a se encontrar com Biden ou comparecer à posse de seu sucessor, rompendo com uma tradição política vista como ratificação da transferência pacífica do poder.

20 anos do Atentado de 11/09

Os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, completaram 20 anos em 2021.

Integrantes do grupo Al-Quaeda sequestraram quatro aviões para atacar os principais símbolos de Nova York e Washington no dia 11 de setembro.

Duas foram aeronaves foram lançadas contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e uma terceira contra o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA em Washington. Um quarto avião caiu em um campo na Pensilvânia.

Ao todo, 2.977 pessoas morreram e mais de 6 mil ficaram feridas nos ataques terroristas.

O evento desencadeou ataques a grupos terroristas e a países.

Volta do Taliban ao poder no Afeganistão

Após 20 anos de ocupação militar, os Estados Unidos retiraram suas forças do Afeganistão em 2021. A operação foi concluída em agosto.

A longa ocupação teve fim com uma retirada caótica de aeronaves e pessoas e resultou na retomada do controle do país pelo Taliban. O grupo formado por fundamentalistas foi expulso do poder por ter abrigado a rede Al Qaeda durante a preparação e execução dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Retrocesso nos direitos civis no Afeganistão

Com a volta ao poder do Taliban, em um primeiro momento, o grupo tentou passar uma imagem mais moderada e chegou a afirmar que não se vingaria daqueles que trabalharam com os Estados Unidos e que respeitariam os direitos das mulheres.

A realidade, no entanto, está sendo bastante diferente. ONGs divulgaram um relatório que lista abusos contra civis perpetuados pelo Talibã desde agosto. Entre os abusos apontados, está a repressão a mulheres afegãs e a defensores de direitos humanos, represálias contra servidores do antigo governo e cerceamento da liberdade de expressão.

Mãe com duas filhas no Afeganistão
No Afeganistão, mãe diz que terá de vender as filhas para comprar comida (Photo by Murteza Khaliqi/Anadolu Agency via Getty Images)

Merkel deixa governo da Alemanha

Depois de 16 anos no poder, a primeira-ministra da Alemanha Angela Merkel deixa o cargo em 2021. No fim deste ano, Olaf Scholz começa a governar a maior economia da Europa.

O vice-premiê e ministro das Finanças alemão assume o país com um novo surto de covid-19 e deve lutar contra as consequências do Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia.

Baixo índice de vacinação na Europa e quarta onda da covid

Alguns países da Europa enfrentam uma nova onda de covid-19 devido ao baixo índice de vacinação. A média semanal é de 73 mil novos casos da doença, e o número de mortos é o mais alto desde o início de março.

A Alemanha tem menos de 70% da população com o esquema vacinal completo - inferior a taxa de países como Portugal e Irlanda.

Por isso, o governo anunciou restrições para as pessoas que não se vacinaram contra a covid-19. Na prática, quem não tiver se imunizado viverá em um regime de lockdown parcial.

O país tornou obrigatória a imunização, medida também anunciada na Áustria.

Golpe em Mianmar

Em Mianmar, o Exército expulsou o antigo governo sob acusação de fraude eleitoral, decretou um golpe de estado e instalou uma ditadura. 

Os militares assumiram o poder do país e declararam estado de emergência, prendendo o então presidente Win Myint e a conselheira Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz em 1991.

Os protestos pró-democracia foram reprimidos com violência.

2021 caótico também na América Latina

Da Nicarágua à Argentina, países da América Latina enfrentaram crises políticas e protestos no ano de 2021.

Haiti

Jovenel Moise, presidente do Haiti, foi morto em julho em sua casa por mercenários. No atentado, a primera-dama também foi baleada, mas sobreviveu.

Além da instabilidade política, o país enfrentou um terremoto de magnitude 7,2 em agosto, que matou mais de 2.200 pessoas, afetou diretamente cerca de 600 mil pessoas e deixou milhares de edifícios destruídos.

Cuba

Em julho, protestos contra o governo cubano eclodiram em diversas cidades da ilha e em Miami, nos Estados Unidos. Os manifestantes expressaram seu descontentamento com a situação econômica e social do país, agravada durante a pandemia da Covid-19.

Peru

Mais de um mês após a eleição presidencial do Peru, o esquerdista Pedro Castillo foi declarado presidente.

A candidata direitista Keiko Fujimori se recusou a aceitar o resultado, acusou o adversário de fraude e entrou com processos na justiça eleitoral. Manifestantes dos dois lados foram às ruas de Lima e de outras cidades do país para pedir respeito ao voto.

Presidente do Peru, Pedro Castillo, vestido com traje típico dos Andes
Presidente do Peru, Pedro Castillo, já enfrentou um pedido de impeachment (Photo by CARLOS MAMANI/AFP via Getty Images)

Nicarágua

Neste ano, meses antes das eleições do dia 7 de novembro, foram detidos mais de 40 opositores e empresários, entre eles sete pré-candidatos à Presidência, que pretendiam disputar com Daniel Ortega, atual presidente.

Desde 2018, manifestantes protestam contra o governo e foram duramente reprimidos pelas forças de segurança. Segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a violência deixou 355 mortos, centenas de detidos, dos quais mais de 160 ainda estão presos, enquanto 103 mil partiram para o exílio.

Ortega, ex-guerrilheiro no poder desde 2007, foi reeleito.

Bolívia

Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolívia, foi presa em março deste ano por “sedição e terrorismo”.

Em dezembro de 2019, a então senadora assumiu a Presidência, após a renúncia de Evo Morales. As acusações contra ela resultam de uma investigação por conspiração em um suposto golpe de Estado que levou ao levante da Polícia em meio à convulsão social, culminando com a renúncia e posterior exílio de Evo Morales em novembro de 2019.

No ano seguinte, ela se candidatou ao governo, mas acabou em terceiro lugar com 13% dos votos. Luis Arce, do partido de Morales, foi o vencedor das eleições presidenciais.

Chile

O presidente do Chile, Sebastian Piñera, deixa o cargo com um triste histórico de ter sido o único presidente em 31 anos de democracia a ser duas vezes acusado constitucionalmente pelo Congresso. Neste ano, o impeachment do empresário bilionário foi aprovado na Câmara, mas rejeitado no Senado.

Desde 2019, enfrentou protestos estudantis contra o aumento da passagem do metrô de Santiago, que deram início à maior revolta social em décadas no país. Segundo balanço, foram 34 mortos e centenas de feridos.

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