Retrospectiva digital 2021: do TikTok ao metaverso, pandemia impulsionou uma interação profundamente digital

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    Mark Zuckerberg
    Empresário norte-americano

Teve vacina “Pifaizer” antes da virada; hoje tem dancinha no TikTok para receber 2022. Ano que vem pode ser que haja uma festa no metaverso. Ou talvez, em 2023, isso soe “cringe”. E, por falar no que fica obsoleto rápido, quem lembra do último “meme da vez”?

Todos esses temas chacoalharam o cenário digital de 2021. Muitos deles ainda vão dar o que falar, com exceção da batalha geracional que invadiu a internet brasileira em junho passado: virou “cringe” falar “cringe” depois de tanta badalação (se perdeu o conflito, entenda no box abaixo).

Um dos assuntos mais promissores é o metaverso, a nova fronteira da internet. O conceito de fusão dos mundos real e virtual já estava presente no ambiente de jogos como Fortnite, Minecraft e Roblox, mas o tema ganhou outra magnitude com a entrada do Facebook no papo em setembro. Mark Zuckerberg anunciou um investimento de US$ 50 milhões na “construção do metaverso” e, semanas depois, a holding dele mudou de nome. Agora se chama Meta, em alusão ao seu próximo grande objetivo. Há quem diga que tudo isso foi um polimento numa marca desgastada. Em 2021, os serviços do Facebook foram fortemente criticados por não conterem devidamente a disseminação de fake news e conteúdos de ódio. Houve até uma informante vazando documentos para reforçar suas acusações. Para completar o Annus horribilis, em outubro, os servidores que controlam WhatsApp, Facebook e Instagram tiveram uma pane generalizada e deixaram as plataformas inoperantes no mundo inteiro.

Para o futuro, marketing ou não, o fato é que o grupo Meta não é o único atrás do metaverso. Microsoft e Apple, por exemplo, também estão na briga: quem vai proporcionar a melhor experiência para o usuário?

— No momento em que já há uma web 2.0 muito consolidada, principalmente com redes sociais, temos que encontrar um novo caminho. Isso é um grande incentivo para algumas empresas de tecnologia — diz Christian Perrone, coordenador da área de direito e tecnologia do ITS Rio.

A badalação em torno do metaverso em 2021 é resultado da digitalização da Covid-19, dizem especialistas. Falar sobre imersão agora faz todo sentido depois de boa parte do mundo se recolher em casa.

— Com a pandemia, as pessoas ficaram mais acostumadas a viver no espaço digital. Claro que já estávamos familiarizados com o ambiente virtual antes, mas houve uma digitalização muito mais profunda de diversos segmentos e modos de vida — diz Christian Perrone, coordenador da área de direito e tecnologia do ITS Rio.

Com o aprofundamento desses hábitos, quem se deu bem foram os chineses do TikTok. Se 2021 foi difícil para Mark Zuckerberg, eles só tem o que comemorar, pois a rede social não para de crescer.

— O formato de comunicação da plataforma, de vídeos rápidos e com muito apelo visual, é um modelo que segue em ampliação, que influencia o storytelling de diversos conteúdos — diz André Miceli, professor de marketing digital na Fundação Getúlio Vargas.

A princípio, o especialista vê o TikTok longe de discussões sobre metaverso.

— Ainda não temos abertamente um movimento declarado da empresa para novas direções, como vemos no Facebook.

No app chinês (e também no Instagram, no YouTube e até na TV tradicional) estão Esse Menino e Alice, dois dos nativos digitais que despontaram em 2021 e tiveram mais do que os 15 segundos de fama costumeiros dos virais.

O primeiro é mineiro de Teófilo Otoni, e teve seu nome catapultado aos quatro cantos da web brasileira em junho, depois de roteirizar e estrelar um vídeo em que interpreta a vacina Pfizer mandando e-mails para o presidente Bolsonaro. “Tá passada?”, “vai responder não?” e tantos outros bordões caíram na boca do povo e do infinito mundo de “figurinhas de Zap”. Em outubro, o jovem, que já era humorista, acabou contratado pelo Multishow.

Já Alice é uma bebê que impressiona pela dicção perfeita para quem tem apenas 2 anos de idade. Os muitos vídeos (sempre com uma palavra difícil, mas repetida pela criança) postados na conta da mãe, Morgana Secco, fizeram tanto sucesso durante o ano que a menina terminou 2021 contracenando com Fernanda Montenegro num comercial.

O ano também foi generoso com Casimiro Miguel, carioca que é sucesso na plataforma Twitch e no YouTube com seus reacts dos mais variados temas. De comida indiana a mansão da Barra da Tijuca, passando por reality shows, o jovem e seu bordão “meteu essa?” tornaram 2021 mais leve.

Abaixo, um balanço do que mais "curtimos e comentamos" nas redes nesse ano:

Millennials’ envelheceram

Foi um choque. Os millennials, nascidos entre 1981 e 1996, descobriram estar “velhos”. Afinal, eles têm o hábito de exaltar o café da manhã, usar hashtags e recorrer a certos emojis. Aos olhos da geração Z (que veio ao mundo entre a segunda metade dos anos 1990 e os anos 2000), tudo isso é “cringe”, ou seja, dá vergonha alheia, um mico total. Essa discussão em torno da palavra e hábitos embaraçosos bombou tanto em junho que fez a pergunta “o que é cringe” ser a que mais gerou interesse no Google em 2021. O termo também virou o “meme” do ano no buscador.

Uma outra dimensão

O que começou no livro “Snow crash”, de Neal Stephenson, escrito em 1992, agora está por toda a internet. Do Roblox e do Minecraft, jogos de sucesso entre a garotada, ao império de Mark Zuckerberg, as grandes empresas de tecnologia pisaram no acelerador para ver quem vai proporcionar a melhor experiência de metaverso. O conceito gira em torno de uma imersão que mescle os mundos real e digital, por meio de tecnologias como óculos de realidade virtual e aumentada, roupas com sensores tácteis e conexões de internet supervelozes.

Os que viralizaram

O Brasil inteiro ficou passado com a demora do governo federal em responder aos e-mails da Pfizer sobre a compra de vacinas anti-Covid, mas o mineiro Esse Menino pegou toda a incredulidade e transformou em humor-protesto. O resultado foi o vídeo da “Pifaizer”, com mais de 20 milhões de visualizações só no Instagram, o que lhe rendeu o status de um dos maiores nomes digitais do ano (e um contrato com o canal Multishow). Com ele nesse panteão está Alice, de 2 anos, que viralizou diversas vezes por falar palavras difíceis com perfeição. Acabou o ano dividindo a cena com Fernanda Montenegro numa ação publicitária.

O hit está para negócios

Você pode não ter aberto uma conta no TikTok, mas certamente recebeu neste ano um vídeo ou um meme que apareceu primeiro por lá. O aplicativo, nascido na China em 2018, chegou a um bilhão de usuários ativos por mês em setembro e se consolidou como a grande rede social dos anos 2020. Aqui no Brasil, a empresa investiu pesado e armou o TikTok Awards, uma noite de premiação (física e com transmissão on-line) para os criadores de conteúdo mais populares do app, com direito até a show de Caetano Veloso — que já tem uma conta na rede social.

A proposta de vídeos curtos foi imitada pelos concorrentes, como Instagram e YouTube. E o viciante feed vertical de rolagem infinita já tem sido testado até pelo aplicativo de música Spotify, segundo noticiado pela imprensa americana em novembro.

Essa combinação é um sucesso entre adolescentes, mas é justamente aí que mora o desafio: colocar as outras faixas etárias para também produzir, e assim diversificar os temas.

—Quanto mais gente eles conseguirem atrair para a plataforma, mais as pessoas vão conseguir um conteúdo direcionado a elas. Em vez de entrar no YouTube para ver dicas de finanças, o adulto vai pensar no TikTok para esse tipo de conteúdo. Esse é o desafio para 2022 — diz André Miceli, professor de marketing digital na Fundação Getúlio Vargas.

Outra estratégia da rede, segundo o especialista, é badalar o potencial do app para promover negócios.

—Existe uma forte tendência de vendas dentro desse ambiente, e isso vai evoluir.

Da bebê Alice a Casimiro

A badalação em torno do metaverso em 2021 é resultado da digitalização da Covid-19, dizem especialistas. Falar sobre imersão agora faz todo sentido depois de boa parte do mundo se recolher em casa.

— Com a pandemia, as pessoas ficaram mais acostumadas a viver no espaço digital. Claro que já estávamos familiarizados com o ambiente virtual antes, mas houve uma digitalização muito mais profunda de diversos segmentos e modos de vida — diz Christian Perrone, coordenador da área de direito e tecnologia do ITS Rio.

Muito apelo

Com o aprofundamento desses hábitos, quem se deu bem foram os chineses do TikTok. Se 2021 foi difícil para Mark Zuckerberg, eles só tem o que comemorar, pois a rede social não para de crescer.

— O formato de comunicação da plataforma, de vídeos rápidos e com muito apelo visual, é um modelo que segue em ampliação, que influencia o storytelling de diversos conteúdos — diz André Miceli, professor de marketing digital na Fundação Getúlio Vargas.

A princípio, o especialista vê o TikTok longe de discussões sobre metaverso.

— Ainda não temos abertamente um movimento declarado da empresa para novas direções, como vemos no Facebook.

No app chinês (e também no Instagram, no YouTube e até na TV tradicional) estão Esse Menino e Alice, dois dos nativos digitais que despontaram em 2021 e tiveram mais do que os 15 segundos de fama costumeiros dos virais.

O primeiro é mineiro de Teófilo Otoni, e teve seu nome catapultado aos quatro cantos da web brasileira em junho, depois de roteirizar e estrelar um vídeo em que interpreta a vacina Pfizer mandando e-mails para o presidente Bolsonaro. “Tá passada?”, “vai responder não?” e tantos outros bordões caíram na boca do povo e do infinito mundo de “figurinhas de Zap”. Em outubro, o jovem, que já era humorista, acabou contratado pelo Multishow.

Já Alice é uma bebê que impressiona pela dicção perfeita para quem tem apenas 2 anos de idade. Os muitos vídeos (sempre com uma palavra difícil, mas repetida pela criança) postados na conta da mãe, Morgana Secco, fizeram tanto sucesso durante o ano que a menina terminou 2021 contracenando com Fernanda Montenegro num comercial.

'Meteu essa?'

O ano também foi generoso com Casimiro Miguel, carioca que é sucesso na plataforma Twitch e no YouTube com seus reacts dos mais variados temas. De comida indiana a mansão da Barra da Tijuca, passando por reality shows, o jovem e seu bordão “meteu essa?” tornaram 2021 mais leve.

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