Retrospectiva O GLOBO: Sete jogadores internacionais que brilharam em 2020

Bruno Marinho
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Editoria de arte

Em um ano marcado pela excepcionalidade da Covid-19, Lewandowski foi o sinal de que um “novo normal” chegou ao futebol em 2020, de destaques mais transitórios, craques mais humanos e menos geniais, ao contrário do que Messi e Cristiano Ronaldo impuseram nos últimos 12 anos. Foi apenas a segunda vez desde 2008 que um jogador conseguiu ser eleito o melhor do mundo pela Fifa à frente dos dois — o primeiro foi Modric, em 2018. A tendência é que isso se torne mais comum a cada ano.

O polonês de 32 anos ganhou todos os cinco títulos possíveis pelo Bayern de Munique em 2020 (Champions League, Campeonato Alemão, Copa da Alemanha, Supercopa Alemã e Supercopa da Uefa), com a incrível marca de 55 gols em 47 partidas disputadas. Foi a primeira vez na carreira que ele superou a média de mais de um gol por jogo, feito dificílimo que Cristiano Ronaldo e Messi normalizaram em seus anos dourados.

Tanto o português quanto o argentino estão no crepúsculo de suas carreiras, o que ajuda a explicar também porque o polonês conseguiu, com justiça, ser reconhecido como o melhor da temporada. Ainda assim, eles esticam a corda o quanto podem. Cristiano, a dois meses de completar 36 anos, tem média superior a um gol por jogo na temporada que só vai acabar em 2021. Na que terminou este ano, foi campeão italiano, o sétimo título de uma liga nacional na carreira.

Recordes de Messi

Messi não tem feito tantos gols, mas os que anotou, reescreveram a história. Este ano, o argentino ultrapassou Pelé e se tornou o jogador com mais gols em partidas oficiais por um mesmo clube: 644. Curiosamente, o feito não teria acontecido se seu plano de deixar o Barcelona tivesse sido concluído ao fim da temporada passada. O camisa 10, mesmo à frente de um Barça que sofre para se renovar, ainda brilhou em 2020. Mas se tratou de um brilho desconectado do coletivo. Mané, do Liverpool, por outro lado, alcançou o pacote completo em 2020: além de se destacar individualmente, em uma ascensão técnica que se faz presente desde 2019, ele ajudou o Liverpool a trazer a maior alegria para à terra dos Beatles em tempos de pandemia: o time foi campeão inglês depois de 30 anos de jejum.

Outro destaque também vem do futebol inglês. Kevin De Bruyne terminou a temporada lamentando mais uma vez o fato de o Manchester City não ter conseguido o tão sonhado primeiro título da Champions. A equipe foi eliminada pelo Lyon ainda nas quartas de final e não teve fôlego para alcançar o Liverpool na Premier League. Mas nada disso muda o fato de que o belga foi mais uma vez o melhor meia do futebol mundial.

De Bruyne foi seguido de perto por Thiago Alcântara, brasileiro naturalizado espanhol que finalmente teve a temporada dos sonhos pelo Bayern de Munique. Não à toa que ambos são adorados por Guardiola. Alcântara, assim como o jogador do City, conciliam o que se espera de melhor de meias no futebol de hoje: intensidade para compor bem a segunda linha defensiva, visão de jogo para organizar as equipes e velocidade de raciocínio para fazer o time fluir no ataque mesmo sob a intensa marcação adversária. Se Lewandowski foi a flecha do Bayern, o filho mais velho de Mazinho foi o arco.

Outro destaque merece a presença na lista pelo dinheiro que movimentou. Havia a expectativa sobre como os clubes europeus se comportariam na janela de transferências marcada pelos prejuízos causados pela Covid-19 no mundo. Como era esperado, o total de transferências diminuiu, mas alguns jogadores ainda assim motivaram altos investimentos. O maior deles foi, de acordo com o site Transfermarkt, a contratação de Kai Havertz pelo Chelsea. O alemão de 21 anos, que atuava pelo Bayer Leverkusen e que defende a seleção alemã, custou 80 milhões de euros, cerca de R$ 510 milhões.