Retrospectiva O GLOBO: Sete momentos inesquecíveis do esporte em 2020

Vitor Seta
·4 minuto de leitura
Editoria de Arte

Com um calendário no mínimo conturbado, afetado por paralisações devido à pandemia do novo coronavírus, os grandes lances do esporte em 2020 ficaram espaçados na memória do torcedor. Foram poucos os momentos marcantes antes das modalidades entrarem em quarentena — a exceção talvez tenha sido o Super Bowl, a grande final da NFL —, mas os campos, quadras e pistas recompensaram quem tanto aguardou pelo retorno da ação: a segunda metade do ano teve emoção, apreensão e surpresa.

Em fevereiro, enquanto o mundo ainda tentava entender os impactos da Covid-19, o Hard Rock Stadium, em Miami, viu uma virada histórica na decisão da NFL. Comandado pela atuação de gala do quarterback Patrick Mahomes, o Kansas Chiefs venceu seu primeiro Super Bowl em 50 anos e tornou-se campeão norte-americano de futebol americano da temporada de 2019.

O grande momento de Mahomes, de 24 anos foi no último quarto, quando sua equipe perdia por 20 a 10 para o San Francisco 49ers: o quarterback lançou um passe incrível, cruzando 44 jardas para chegar em Tyrek Hill. A jogada deu origem ao touchdown que iniciou a reviravolta da equipe do Kansas. O jogo terminou 31 a 20 para os Chiefs.

Golaço na Champions

Dos pés de um fenômeno norueguês veio o primeiro grito de gol após paralisação de 66 dias do futebol. Em maio, uma das principais revelações do ano, o atacante Erling Haaland, de apenas 19 anos, completou passe de Thorgan Hazard para iluminar os gramados do Campeonato Alemão, na vitória do Borussia Dortmund por 4 a 0 sobre o Schalke 04. A liga foi a primeira entre as principais do mundo a retomar suas atividades, num teste inicial dos jogos sem público que perduram até o momento na maioria dos torneios.

Foi também sob portões fechados que o Barcelona de Messi sofreu sua pior derrota na história da Liga dos Campeões. Em agosto, a equipe catalã, que já se via às voltas com a renovação de contrato do argentino, foi humilhada pelo Bayern de Munique, que viria a ser campeão do torneio: 8 a 2. O quinto gol dos bávaros simbolizou a superioridade alemã, em uma das jogadas mais bonitas daquela edição: o jovem Alphonso Davies, de 20 anos, driblou dois marcadores pela esquerda, deixou Semedo no chão e rolou para Kimmich empurrar para o gol.

O ano foi mesmo dos jovens no futebol. Na América do Sul, Kaio Jorge, do Santos, tornou-se o brasileiro mais rápido a marcar pela Libertadores. Pelo segundo jogo das quartas de final do torneio, no último dia 16, o atacante de 18 anos aproveitou-se de bobeada da defesa do Grêmio, driblou Vanderlei e marcou aos 11 segundos de jogo na goleada por 4 a 1 do Peixe.

Recorde e acidente nas pistas

A Fórmula 1 teve ano dominante de Lewis Hamilton. Com sobras, o piloto da Mercedes tornou-se heptacampeão mundial, igualando Michael Schumacher. Ele fez história na temporada ao conseguir superar uma marca que parecia inatingível, de maior número de vitórias (92), ao vencer o GP de Portugal, em outubro.

Mas o momento mais marcante das pistas não envolveu o britânico. No fim de novembro, Romain Grosjean fazia uma de suas últimas corridas pela Haas, no GP do Bahrein, quando sofreu um dos piores acidentes que a categoria já testemunhou. Após toque em Daniil Kvyat, o carro do francês se chocou com o guard rail, se partiu ao meio e explodiu. Após quase 30 segundos de apreensão e agonia, Grosjean saiu do carro em meio às chamas, apenas com queimaduras nas mãos e nos pés.

Davis decide no fim

Na NBA, que encerrou sua temporada em formato de “bolha”, na Flórida, a festa foi do Los Angeles Lakers. Comandada por LeBron James, a franquia californiana voltou a ser campeã depois de dez anos, derrotando o Miami Heat na final, mas o lance que vai ficar marcado para sempre aconteceu na decisão da Conferência Oeste.

No jogo 2 contra o Denver Nuggets, os Lakers perdiam por dois pontos quando Anthony Davis acertou uma incrível cesta de três pontos no estouro do cronômetro. O lance e o grito de “Kobe” eternizado por Davis na comemoração lembraram o ídolo dos Lakers, Kobe Bryant, falecido em janeiro, em um acidente de helicóptero. Um momento de arrepiar.