Réu por bomba no DF atuou em ministério, mas não era ‘meu assessor’, diz Damares

Damares Alves tentou se desvincular do ex-assessor de seu ministério, apontado como um dos responsáveis por tentar explodir uma bomba no DF, em dezembro de 2022. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Damares Alves tentou se desvincular do ex-assessor de seu ministério, apontado como um dos responsáveis por tentar explodir uma bomba no DF, em dezembro de 2022. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Damares Alves assume que acusado de tentar explodir bomba em Brasília trabalhava no ministério chefiado por ela;

  • Golpista é apontado como um dos responsáveis por armar explosivo em caminhão com destino ao aeroporto de Brasília (DF) na véspera do Natal;

  • Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já era réu em outros casos de atos antidemocráticos e usava tornozeleira eletrônica. Atualmente, o blogueiro está foragido.

A senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF) tentou se desvincular de um ex-assessor do antigo ministério dela, apontado como um dos responsáveis por tentar explodir uma bomba em Brasília (DF) em dezembro do ano passado.

Wellington Macedo foi assessor do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, chefiado por Damares no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pelo Twitter, a senadora eleita confirmou a atuação dele na pasta, mas disse que o homem não teria sido “assessor direto” dela.

“O referido jornalista não era meu assessor direto. Trabalhou na área de comunicação da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que, inclusive, funcionava em prédio diferente do Gabinete Ministerial”, escreveu a ex-ministra nesta segunda-feira (16).

Damares ainda disse repudiar ‘tentativas levianas’ de associação da imagem dela às ações de golpistas e se disse ‘defensora da democracia’.

“Condeno atos de vandalismo, depredação do patrimônio público e de violência que coloque em risco a vida humana ou a sua integridade física”, acrescentou.

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Relembre o caso

Em 24 de dezembro de 2022, o empresário George Washington de Oliveira Sousa foi preso após confessar ter colocado uma bomba em um caminhão em área próxima ao aeroporto da capital federal.

Com isso, a Polícia Civil passou a buscar outras pessoas envolvidas na tentativa de ataque, já que o bolsonarista frequentava o acampamento instalado na frente do Quartel-General do Exército, o QG.

Com auxílio das câmaras de segurança, as autoridades identificaram outros dois dos três participantes: Wellington e Alan Diego dos Santos Rodrigues.

Como usava tornozeleira, Wellington teve a localização rastreada pela polícia no dia do crime. Atualmente, ele está sem o item, que retirou de maneira ilegal, e é considerado foragido. A Polícia do DF concluiu que George Washington procurou na internet como comprar banana de dinamite.

Ele já era procurado desde os ataques promovidos à sede da Polícia Federal, em Brasília, em 12 de dezembro.

R$ 10 mil de salário

De acordo com informações do Portal da Transparência, a remuneração do cargo ocupado por Macedo no Governo Federal é de R$ 10.373,30.

Além do saário, ele recebeu cerca de R$ 24 mil em pagamentos do Executivo federal, incluindo indenização após exoneração e pagamentos de diárias.

Segundo o site, após deixar o Ministério, o bloqueiro ainda recebeu quatro parcelas do auxílio emergencial em 2020.

Candidato com tornozeleira

O blogueiro, de 47 anos, é um dos três réus investigados pela tentativa de explodir um caminhão-tanque em área próxima ao Aeroporto Internacional de Brasília na véspera do último Natal.

De acordo com apuração do jornal O Povo, além do caso envolvendo o explosivo, Macedo acumula 59 processos por ataques a políticos e servidores da rede de ensino no município de origem dele, Sobral, no interior do Ceará.

Em 2022, lançou candidatura para o cargo de deputado federal por São Paulo, identificando-se como “Jornalista Wellington Macedo”, pelo PTB, mas não foi eleito.

Em 2021, foi preso por participação nos atos de 7 de setembro, por incitação à violência e atos golpistas. Ele cumpria prisão em domícilio e usava uma tornozeleira eletrônica durante a campanha eleitoral deste ano e nos atividades políticas em que participava.