Reunião entre Tereza Cristina e secretário dos EUA termina sem acordo sobre carne bovina

O secretário do Departamento da Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, se reuniu com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em Washington

WASHINGTON — A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, se reuniu nesta quarta-feira com o secretário do Departamento de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, tendo na pauta a suspensão da importação de carne bovina in naturado Brasil. A ministra deixou a reunião sem uma definição, mas com sinalização de que a resposta será dada “em breve”.

— Vamos fazer os trâmites com a maior tranquilidade. Eles me prometeram que em breve teremos notícias sobre a data e se as informações que passamos são suficientes ou não — afirmou a Tereza, após deixar a reunião. — Vamos aguardar uma decisão deles, eu espero que seja breve mesmo, pela nossa conversa.

Leia também:Ministra da Agricultura diz que EUA não vetaram a carne, apenas pediram mais informações

Em 2017, os EUA suspenderam a importação de carne bovina brasileira in natura por problemas fitossanitários. Segundo o ministério da Agricultura, a suspensão se deve a reações provocadas no rebanho nacional pela vacina contra a febre aftosa. O fim do embargo foi um dos pedidos do presidente Jair Bolsonaro a Donald Trump, no encontro entre os dois em Washington, em março.

O governo brasileiro esperava por uma resposta positiva, mas foi frustrado pelas autoridades sanitárias dos EUA, que anunciaram no fim do mês passado a manutenção do embargo e a necessidade de envio de uma nova missão ao país. Desde a suspensão das importações, o governo americano já enviou duas missões ao país para tratar do tema, sendo a última delas em junho.

“O secretário Perdue agradeceu a celeridade com que o Brasil enviou as informações solicitadas na última auditoria, realizada em junho, e comprometeu-se a dar prioridade ao processo”, afirmou Tereza, pelo Twitter.

O último relatório do governo americano aponta quatro questões relacionadas à carne brasileira exportada: definição de padrões para definir quando um animal a ser abatido está com temperatura elevada, risco de contaminação cruzada da carne de cabeça, problemas no processo de maturação e melhorias no processo de coleta para testes microbiológicos.

O encontro desta quarta-feira também abordou a ampliação para 750 mil toneladas da cota de importação de trigo com alíquota zero, sem a Tarifa Externa Comum de 10%, um antigo desejo dos americanos. A medida foi aprovada em reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) no último dia 5, e beneficia importações de todos os países, com exceção dos quais o Brasil já possua acordo de livre comércio para o produto.

— Era uma ansiedade dos Estados Unidos, mas já está implementada — afirmou Tereza Cristina.