Reunião do Mercosul em formato virtual adia 1º encontro de Bolsonaro e Fernández

SYLVIA COLOMBO
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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A chancelaria argentina anunciou na tarde deste sábado (13), que o governo mudou os planos para a Cúpula do Mercosul, marcada para 26 de março. Em vez de ser presencial, o evento que marcará os 30 anos de lançamento do bloco será virtual, "devido à situação sanitária de vários países da região". Os líderes dos países-membros do grupo já tinham confirmado sua visita. A Argentina exerce a presidência pró-tempore do bloco, que inclui também Brasil, Paraguai e Uruguai como integrantes plenos. Outros sete países sul-americanos são membros associados. O anúncio saiu depois de uma decisão do governo, na sexta-feira (12), de reduzir os voos internacionais de países que apresentam a nova variante do coronavírus, entre eles o Brasil. A Argentina já tinha reduzido a frequência entre os dois países em 50% em janeiro. Agora, sobre o total que está circulando, será reduzido em mais 20%. A medida vale, pelo menos, até 9 de abril. A cúpula era aguardada também porque seria o primeiro encontro presencial entre o brasileiro Jair Bolsonaro e o argentino Alberto Fernández. Em uma live, no dia 4 de março, o presidente brasileiro disse que gostaria de ter com o argentino "uma conversa reservada, nós dois num canto". A relação entre os dois atuais mandatários, no entanto, foi marcada pela distância. Bolsonaro fez campanha para o adversário de Fernández, Mauricio Macri, na eleição de 2019. Depois da vitória do peronista, o brasileiro afirmou que não cumprimentaria o argentino e fez várias críticas ao "retorno do kirchnerismo" ao país vizinho, o que identificou como uma guinada de rumo da Argentina "em direção à Venezuela". O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, foi ainda mais explícito. Em setembro de 2020, afirmou que o que estava acontecendo na Argentina devido à longa quarentena imposta por Fernández era uma "calamidade" e que o país tinha sido "destruído por seu governo socialista em poucos meses". A partir de novembro, porém, houve uma aproximação entre os países, depois que o embaixador Daniel Scioli se instalou em Brasília. A primeira conversa entre os dois presidentes foi realizada em dezembro de 2020, um ano após a posse de Fernández. Naquele encontro virtual, o presidente argentino pediu que as diferenças do passado fossem deixadas para trás e que "o futuro seja encarado com as ferramentas que funcionam bem" para os dois países, "potencializando todos os pontos de acordo". Naquela ocasião, Fernández defendeu o aprofundamento da integração no Mercosul, enquanto Bolsonaro ressaltou a meta de reduzir a TEC (Tarifa Externa Comum) e ampliar os acordos comerciais do bloco. Esses dois temas contrapõem o governo peronista na Argentina e a administração Bolsonaro. Os argentinos resistem a baixar a TEC, sob o argumento de que essa decisão prejudicaria sua indústria nacional, e, por isso, têm colocado travas às negociações de tratados comerciais. A TEC é um imposto de importação partilhado entre os sócios do Mercosul e precisa da anuência dos quatro membros para ser reformada. Por isso, ainda que tenha chamado o bloco de "nosso pilar de integração", Bolsonaro destacou a necessidade de criar "mecanismos mais ágeis e menos burocráticos". O Mercosul vive um momento delicado diante da diferença de opiniões dos seus dois maiores sócios. Enquanto o Brasil prega uma maior abertura comercial, os argentinos adotam uma postura mais protecionista.