REUTERS NEXT-Acordo nuclear com Irã precisa ser retomado em semanas, não meses, diz chefe de agência atômica

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Diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi

Por François Murphy

VIENA, 11 Jan (Reuters) - As potências mundiais e o Irã têm semanas para restabelecerem o acordo nuclear de 2015 depois que Teerã começou a aumentar o nível de enriquecimento de urânio e o Parlamento iraniano ameaçou restringir o acesso de inspetores da ONU no mês que vem, disse o chefe do órgão atômico global nesta segunda-feira.

O Irã começou a seguir em frente com planos para enriquecer urânio até 20% da força físsil em sua usina nuclear subterrânea de Fordow na semana passada, patamar este que Teerã alcançou antes de fechar um acordo com potências mundiais para conter suas controversas ambições nucleares.

A mais recente violação do acordo nuclear pela República Islâmica desde que o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos dele, em 2018, pode complicar os esforços do presidente eleito dos EUA, Joe Biden, que assume o cargo em 20 de janeiro, para voltar a aderir ao pacto.

"Não cabe a mim dizer o que fazer, mas está claro que não temos muitos meses pela frente, mas semanas", disse o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, em entrevista à Reuters Next Conference, quando questionado sobre quanto tempo resta para se chegar a um acordo e trazer o Irã de volta ao cumprimento das condições.

Em dezembro, o Parlamento iraniano aprovou uma legislação que obriga o governo a enriquecer urânio com 20% de pureza.

A lei também diz que, se os obstáculos à venda de petróleo do Irã não forem removidos e as transações bancárias normalizadas até 21 de fevereiro --ambas as áreas têm sido prejudicadas pelas sanções de Trump-- isso encerrará os amplos poderes de inspeção dados à AIEA pelo acordo nuclear, limitando inspeções apenas em instalações nucleares declaradas.

A AIEA atualmente tem o poder de realizar inspeções súbitas em locais não declarados a ela pelo Irã, uma vez que, sob o acordo, Teerã está aplicando o chamado Protocolo Adicional da ONU, um acordo entre a agência e os Estados-membros que concede mais acesso aos inspetores.

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