Revelada em ‘Amor de mãe’, Maria fala da origem em favela: ‘Me olham com desdém’

Carol Marques
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eumari

Revelada em ‘Amor de mãe’, Maria fala da origem em favela: ‘Me olham com desdém’

Durante a semana, ela faltou à academia. A volta aconteceu na sexta-feira à noite, quando retomou o fôlego após os primeiros capítulos de “Amor de mãe”, em que Verena, sua primeira personagem na TV, praticamente só usou biquíni em cena. “Graças a Deus vai demorar um pouco para gravar assim de novo”, diz a atriz Maria.

Isso mesmo, só Maria. A moça de 19 anos, nascida e criada na Cidade Alta, comunidade da Zona Norte do Rio, escolheu o nome pela universalidade. “Existe uma conexão com a fé, é um dos primeiros nomes do mundo e aonde eu for vão saber como me chamar”, explica ela, que nasceu Vitória Nascimento Câmara.

Maria é nome artístico para um sonho que começou aos 3 anos de idade. Desde então, a carioca perseguiu como pôde a carreira. “Comecei a fazer teatro na favela mesmo e, conforme minha mãe conseguia coisas para mim também se interessou e se formou como atriz, fundou um grupo na Cidade Alta e montou um musical em homenagem a Chico Buarque. Ganhamos um prêmio de revelação”, recorda, orgulhosa.

Foi nessa época, quando tinha 12 anos, que começou a ser incentivada pelos amigos a cantar. Aos poucos, tornou-se conhecida nos bares da região em que morava. “Aos 15 anos eu já cantava na noite. Ninguém nunca perguntou minha idade”, diz.

Enquanto a música preenchia o tempo, os nãos em testes para TV se sucediam. Em casa, as coisas iam mal porque a violência local já era incontrolável. “Tivemos que nos mudar. Não tinha segurança. Não tinha nada”, lamenta: “Tudo o que vem sendo mostrado na novela, eu vivi. Parei de estudar no ensino médio por causa dos tiroteios diários e das brigas entre alunos. Vi professora levar ovada na cara!”.

A experiência da triste realidade tem ajudado Maria na construção de Verena. “Sei pouco sobre ela ainda. Mas é uma favelada como eu. Que sofre preconceito, que tem que dar a cara a tapa para provar o seu valor”, dispara: “As pessoas me olham com desdém também. Afinal, sou a diferente muitas vezes num ambiente privilegiado. Favelada, mulher, mestiça... Não é fácil”.

Ao contrário da espevitada Verena, Maria diz que não se envolveria com um homem tão mais velho, como é o caso da personagem e Álvaro, papel de Irandhir Santos. “As pessoas podem pensar que ali rola um relacionamento de interesse. E não é. Tem paixão e amor real. Mais para frente, vai ficar mais claro”, defende Maria, que na ficção vai engravidar: “Ela vai passar por este momento. Eu, pessoalmente, não me imagino casada ou formando uma família”.