Revisão tarifária influencia lucro líquido da Eletrobras

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil
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O lucro líquido de R$ 6,4 bilhões obtido pela Eletrobras no ano passado foi influenciado por fatores como a revisão tarifária periódica (RTP) para transmissão, que adicionou R$ 3,036 bilhões ao ano. Com isso, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente atingiu R$ 13,978 bilhões, com redução de 2% em relação a 2019.

O ex-presidente da Eletrobras Wilson Ferreira Júnior, que atualmente é membro do Conselho de Administração, destacou, porém, que no quarto trimestre do ano passado, o Ebitda recorrente somou R$ 4,575 bilhões, aumento de 46% em comparação a igual trimestre do ano anterior.

Ferreira Júnior lembrou também o pagamento final de dividendos, em fevereiro de 2021, de R$ 2, 292 bilhões, além dos ajustes decorrentes dos planos de demissão consensual, que resultaram no desligamento de 562 funcionários em 2020 e quase 400 no primeiro trimestre de 2021. Segundo ele, a redução de custos atingiu cerca de R$ 400 milhões.

O ex-presidente da Eletrobras chamou a atenção ainda para a conclusão da operação de venda de 23 sociedades de propósito específico no quarto trimestre do ano passado, que refletiu no ingresso de R$ 624 milhões no caixa da empresa.

Segundo Ferreira Júnior, outro destaque no balanço da Eletrobras do ano passado foi o conjunto de inovações trazido pela Medida Provisória 1.031, permitindo a capitalização da empresa, entre as quais a volta da golden share (ação que dá poder de veto ao acionista majoritário em alterações relacionadas à sociedade).

No caso da Eletrobras, os alcances da serão objeto de discussão no Congresso Nacional. Ferreira Júnior informou que, entre outras coisas, poderá ser discutido o poder de manutenção do nome Eletrobras e das sedes da empresa, que são regionais. “O que importa é que as decisões sejam obtidas via consenso entre os conselheiros eleitos [hoje são 11, que representam 100% dos votos de todos.”

Investimentos

Wilson Ferreira Júnior informou que, dos R$ 5,286 bilhões em investimentos programados para o ano passado, R$ 700 milhões não foram necessários. Na medida em que grandes empresas, como Santo Antonio e Belo Monte, tiveram permitida a suspensão de pagamentos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), elas ficaram com caixa. “Era um investimento que estava orçado pela prudência, mas não foi necessário.”

O ex-presidente da Eletrobras ressaltou que, no ano passado, houve também restrições à circulação e à importação por causa das barreiras sanitárias, em função da pandemia do novo coronavírus, que atrasaram algumas obras.

Ferreira Júnior destacou que o plano de investimentos da Eletrobras e suas subsidiárias está em curso e disse que uma prova disso é que 56% dos investimentos aceleraram no quarto trimestre do ano passado.

Para 2021, a presidente interina e diretora Financeira e de Relações com Investidores da Eletrobras, Elvira Cavalcanti Presta, informou que os investimentos alcançam R$ 8,3 bilhões, sendo um terço relativo à obra de Angra 3. “Estamos bem comprometido com esse plano, mas há risco de dificuldades e problemas logísticos, se a pandemia tiver um recrudescimento, com barreiras sanitárias”.

Dos R$ 8,3 bilhões programados, a ideia é ter mais de 60% em execução este ano, disse Elvira.