Revoltados com mortes, manifestantes peruanos marcham em Lima exigindo mudanças

Revoltados com mortes, manifestantes peruanos marcham em Lima exigindo mudanças

Por Marco Aquino

LIMA (Reuters) - Milhares de peruanos, muitos deles das regiões mineradoras do sul do país, chegaram à capital Lima nesta quinta-feira para uma grande manifestação planejada contra o governo e o Congresso, motivada por mais de 50 mortes ligadas a protestos desde o mês passado.

Os confrontos marcam o pior período de violência que o Peru já viu em mais de 20 anos, e muitas pessoas nas regiões rurais mais pobres querem expressar sua raiva contra a elite política de Lima e em relação à desigualdade e ao aumento dos preços no país, testando as instituições democráticas da nação andina rica em cobre.

Os manifestantes exigem a renúncia da presidente Dina Boluarte, a rápida convocação de novas eleições, uma renovação no Congresso e uma nova Constituição para substituir a atual, mais favorável ao mercado e que data do líder Alberto Fujimori, na década de 1990.

Em ônibus e a pé, milhares viajaram para a capital carregando bandeiras e faixas criticando o governo e a polícia pelos confrontos mortais nas cidades de Ayacucho e Juliaca, no sul, muitos deles exigindo a renúncia de Boluarte.

"Queremos que Dina Boluarte renuncie", disse Julio Saldivar, um manifestante de Ayacucho, onde dezenas de pessoas morreram em dezembro.

Os manifestantes estão planejando um protesto conhecido como a "Tomada de Lima" nesta quinta-feira, e milhares de policiais são esperados em resposta. Na noite de quarta-feira, os confrontos começaram com manifestantes jogando pedras e policiais usando gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Os protestos, desencadeados pela dramática destituição do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo em 7 de dezembro, depois que ele tentou fechar ilegalmente o Congresso e consolidar o poder, resultaram em 43 pessoas mortas em confrontos, incluindo um policial. Mais nove morreram em acidentes relacionados.

(Reportagem de Marco Aquino e da Reuters TV)