A revolução em Paris: crítica

Carlos Helí de Almeida

Há uma óbvia preocupação em dar o devido crédito à participação do povo em “A revolução em Paris”, que recria momentos-chave da revolta popular que culminou com a deposição do rei e o início da era republicana na França. Mas a ambição do diretor Pierre Schoeller de condensar, em pouco mais de duas horas de duração, eventos conturbados de cinco cruciais anos da História do país acaba por nivelar plebeus e aristocratas em longas discussões políticas que beiram o didatismo.

A seu favor, o filme conta com um elenco estelar e uma reconstituição de época impecável. A partir do momento em que as muralhas da Bastilha vêm abaixo, levando a luz do sol às pobres ruas vizinhas, os personagens entram e saem de cena para dar conta do feito. A trama oscila rapidamente entre os ambientes da lavadeira feminista (Adele Haenel) e dos membros da Assembleia Nacional, como Robespierre (Louis Garrel), sem conseguir dar conta de tanto contexto ou da emoção dos fatos.