Arábia Saudita anuncia nesta quarta resultados de investigação sobre ataques com drones

Por Anuj CHOPRA avec Sebastian SMITH à Washington
Imagem de satélite obtida em 16 de setembro de 2019 mostra uma instalação petroleira danificada por um ataque ocorrido em 14 de setembro de 2019

Autoridades da Arábia Saudita pretendem anunciar nesta quarta-feira os primeiros resultados da investigação dos ataques contra suas instalações de petróleo, no mesmo dia em que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, visitará o país para avaliar uma possível resposta às agressões, nas quais o Irã voltou a negar qualquer envolvimento.

Riad já afirmou que as armas utilizadas nos ataques eram iranianas, mas até agora não acusou diretamente Teerã, seu grande rival regional.

Em uma mensagem enviada ao governo dos Estados Unidos, o Irã negou ter desempenhado qualquer papel nos ataques que reduziram à metade a produção de petróleo saudita e provocaram a disparada do preço do combustível no início da semana.

O barril de Brent do Mar do Norte para entrega em novembro era negociado a 64,23 dólares nesta quarta-feira, uma leve queda na comparação com a véspera.

O ministério da Defesa saudita indicou que seu porta-voz apresentará "provas materiais e armas iranianas que demonstrarão o envolvimento do regime iraniano" nos ataques.

A Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo, quer "provas sólidas e baseadas nas normas internacionais", explicou na terça-feira o ministro saudita da Energia, o príncipe Abdul Aziz bin Salman.

Embora os ataques tenham sido reivindicados pelos rebeldes iemenitas huthis, o governo dos Estados Unidos afirma ter certeza de que foram executados a partir do território iraniano e que mísseis de cruzeiro foram utilizados, segundo uma fonte da administração americana.

O presidente Donald Trump enviou o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, a Jidá, oeste do reino saudita.

Pompeo se reunirá com o príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman para "coordenar os esforços e contra-atacar a agressão iraniana", segundo o Departamento de Estado.

Por seus autores, o local a partir de onde foi realizado ou o armamento usado, o ataque de sábado provoca mais perguntas do que respostas, em consequência das muitas versões contraditórias.

Na mensagem transmitida na segunda-feira à embaixada da Suíça em Teerã, que representa os interesses americanos no Irã, a República Islâmica "insiste que não desempenhou nenhum papel no ataque, nega e condena as acusações" contra o país apresentadas pelos Estados Unidos, informou a agência oficial IRNA.

A mensagem "adverte os funcionários americanos que, se alguma medida for adotada contra o Irã, o país dará uma resposta imediata de um alcance muito maior que uma simples ameaça".

O presidente iraniano Hassan Rohani afirmou que os ataques de sábado contra instalações petroleiras sauditas foram uma "advertência" feita pelos rebeldes iemenitas a Riad, cujas autoridades deveriam "aprender a lição",

"Não atacaram um hospital, não atacaram uma escola. Atacaram um centro industrial como advertência", declarou Rohani durante o conselho de ministros, de acordo com um vídeo exibido pela televisão estatal.

"Aprendam com esta advertência e considerem que poderia acontecer uma guerra em toda a região", completou o presidente iraniano, em uma mensagem, sem citar seus nomes, aos líderes sauditas.

Riad auxilia militarmente o governo do Iêmen desde 2015 no combate aos rebeldes huthis, que são apoiados por Teerã. Os insurgentes assumiram o controle de grandes faixas do território iemenita, incluindo a capital Sanaa.