Ricardo Petraglia: um artista que foi de ‘Hair’, Topo Gigio e ‘Dez Mandamentos’ ao ativismo canábico

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RIO - “Antigamente eu era maconheiro, agora sou paciente”, gargalha Ricardo Petraglia, 70 anos, ator aposentado, rosto conhecido de novelas e outros programas de TV (nos anos 80, contracenou com o ratinho Topo Gigio) e, atualmente, ativista canábico. Esta quarta-feira, ele é uma das atrações do Cannabis Affair, o maior evento brasileiro dedicado à maconha, que acontece virtualmente até a quinta. Ricardo participa às 20h de uma conversa com o ator Antonio Pedro, a produtora cinematográfica Marta Alencar (“ativistas cascudões do passado”) e o DJ e jornalista Raoni Mouchoque (“um exemplo de ativismo moderno”).

A programação da Cannabis Affair inclui uma série de palestras e workshops do qual participam da ministra do Supremo Tribunal Federal Carmen Lúcia ao neurocientista Sidarta Ribeiro. As inscrições podem ser feitas no site https://www.cannabisaffair.com.br/cadastro.

O ativismo canábico do ator começou a ficar mais sério a partir de 2005, quando foi morar na pacata e rural Xerém (distrito de Duque de Caxias, no pé da Serra de Petrópolis) com a companheira Marília. Ele deixou um apartamento no Jardim Botânico porque começou a achar “invasiva essa coisa de morar um em cima do outro, de ter que trepar em silêncio”.

— Depois de algum tempo, eu tive um problema no quadril, coloquei uma prótese coxofemural e isso desequilibrou a minha coluna vertebral. Para complicar, eu não posso tomar anti-inflamatórios e analgésicos porque tenho hepatite C e esses remédios são muito danosos para o fígado. O meu então médico me perguntou por que eu não experimentava a maconha — conta Ricardo.

Mas o médico se referia ao óleo de canabidiol, de uso medicinal, extraído da Cannabis. Diante do sucesso do remédio — que acabou com a dor e a insônia —, o ator resolveu ir atrás de um habeas corpus que o permitisse cultivar maconha legalmente. E conseguiu o documento com a ajuda de amigos como o advogado e ex-governador Nilo Batista. Há três anos, Ricardo é um feliz fazendeiro, associado à ABRACannabis.

— Existe uma movimentação para demonizar e THC (o princípio psicoativo da maconha) e endeusar o CDB (o óleo de canabidiol). Como se o recreativo fosse condenável... — lamenta ele, que anteontem acompanhou a aprovação, em votação na Câmara, do PL 399/2015 que libera o plantio de maconha para fins medicinais, comerciais e industriais. — Ele só resolve os problemas das empresas que querem comercializar a maconha. O povo pobre das favelas, vai continuar tendo sua porta chutada pela falta de ação dos deputados em descriminalizar o usuário.

Empenhado em suas irreverentes lives do Moby Dick Show, no Instagram, Ricardo diz não sentir falta do trabalho de ator, que o levou do musical “Hair” (1969) à novela bíblica “Os Dez Mandamentos” (2015), na TV Record.

— Nunca tive dúvida de que estava na TV para vender sabão e fazer merchandising de banco — explica. — Agora não vendo mais sabão, vendo maconha, sou um militante da legalização. Acho que deve ser direito de todo mundo fazer uso do que quiser desde que não afete a saúde e as vidas das outras pessoas.

Dos tempos de Topo Gigio, Ricardo Petraglia diz só ter boas recordações.

— Foi meu tio, Claudio Petraglia (falecido dois meses atrás de Covid-19, aos 91 anos), quem produzia o programa e que me chamou para participar. Foram dois anos ótimos.

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