Salles x ONGs: petróleo em praias nordestinas intensifica conflito

People work to remove an oil spill on Muro Alto beach in Tamandare, Pernambuco state, Brazil October 19, 2019. REUTERS/Teresa Maia NO RESALES. NO ARCHIVES

Muito criticado pela situação das praias nordestinas contaminadas com óleo, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, chamou a atenção ao ironizar a ONG Greenpeace, uma das maiores do mundo, por, na visão dele, não auxiliar no combate ao desastre natural no Nordeste.

Na publicação do ministro há um trecho do porta-voz da ONG explicando as razões do Greenpeace não estar ao lado dos voluntários que vem limpando as praias com as próprias mãos em alguns casos. “O trabalho de combate ao impacto das manchas de petróleo exige conhecimentos e equipamentos técnicos específicos. Ele tem que ser feito por instituições especializadas e pelos órgãos competentes", explica o integrante da organização.

Diante disso, a legenda escrita por Salles foi: "O Greenpeace “explicou” porque não pode ajudar a limpar as praias do Nordeste.... ahh tá...".


Repercussão negativa

A maioria das respostas mais destacadas a publicação do ministro eram críticas baseadas no fato de que o próprio governo federal não vem atuando como deveria no combate ao óleo nas águas nordestinas. Nesta segunda-feira (21), Paulo Câmara (PSB) afirmou que a questão vem sendo tratada de “forma improvisada” pela gestão Bolsonaro/Salles.

"É sério mesmo que você está tentando culpar o Greenpeace por não fazer o seu trabalho?", escreveu um dos internautas que respondeu a publicação de Salles.

Em outra réplica, a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) afirmou que o ministro não tem “um pingo de vergonha na cara”.

Resposta da ONG

Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace tratou de rebater as críticas feitas pelo ministro ao trabalho da organização. Em vez de focar na resolução do problema, Jair Bolsonaro viajou para o exterior [presidente está no Japão] e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tenta mascarar a sua inação desviando a atenção do problema e jogando a responsabilidade para a população e para as organizações não governamentais", disse.

Baitelo afirmou ainda que voluntários do Greenpeace têm atuado ao lado de voluntários da região. “Os cidadãos realizam, como podem, a limpeza das praias. Voluntários do Greenpeace no Nordeste também estão contribuindo com esse esforço realizando atividades, ajudando em trabalhos de combate ao óleo e documentando os locais atingidos".

Além disso, a ONG acusa Salles de ter utilizado uma versão editada e descontextualizada do vídeo:

Versão de Salles

O ministro rebateu a fala da deputada Sâmia Bonfim ao afirmar que o petróleo que está sujando as praias brasileiras seria oriundo da Venezuela. “Você é que não tem vergonha. Mas deveria ter, e muita, pois o petróleo que está atingindo o Nordeste e o Brasil, é venezuelano, cujo governo ditatorial comunista vocês apoiam", escreveu Salles em sua tréplica.

Para amenizar as críticas, Salles publicou uma série de fotos de órgãos federais atuando no combate ao petróleo. Antes, ele já havia compartilhado uma matéria que afirmava que o Ministério Público reconhecia a ação do governo federal para tratar do desastre.

Depois de tantos conflitos, em evento com empresários no Rio Grande do Sul, Salles criticou tentativa de “politização” do desastre nas praias. Ele foi recebido por um pequeno grupo que protestava contra sua gestão e pedia sua prisão.

“Todos os ministérios têm dado suas contribuições, os órgãos federais têm feito um grande trabalho, os órgãos municipais também estão participando, voluntários estão prestando um bom serviço ao país. Não tem sido bom para o país essa 'polemização' e essa 'politização' que alguns querem fazer", avaliou.