Ricardo Zonta desabafa sobre falta de brasileiros na F1: “Fator financeiro é mais relevante que talento”

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RJ - Rio de Janeiro - 09/04/2022 - STOCK CAR 2022, ETAPA RIO DE JANEIRO TREINOS - Piloto Ricardo Zonta durante treinos para o Grande Premio Galeao na pista Caca Bueno montada no Aeroporto Internacional RioGaleao Tom Jobim pelo circuito da StockCar temporada 2022. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF (Thiago Ribeiro/AGIF)
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Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

O piloto Ricardo Zonta, da equipe Shell-RCM, foi o vencedor da primeira prova da quarta etapa da Stock Car, no Autódromo de Velocitta, em Mogi Guaçu (SP). Rubens Barrichello veio logo atrás em segundo, e Felipe Lapenna em terceira. A segunda corrida foi vencida pelo argentino Matías Rossi, do time Andreas Mattheis Vogel.

“A vitória no Velocitta me dá um novo ânimo e a certeza de que podemos batalhar pelo título. Iniciamos a temporada bem competitivos, mas as duas primeiras etapas acabaram não se convertendo em bons resultados. O Velocitta é uma pista que já conquistamos poles, vitórias, pódios e então essa ‘virada de chave’ significa muito. A Stock Car é um campeonato muito competitivo e as vitórias e os resultados positivos precisam sempre ser celebrados”, afirmou Ricardo em entrevista exclusiva para o Yahoo Esportes.

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Essa vitória deixou Zonta no oitavo lugar na classificação com 67 pontos, e, também, o faz sonhar com espaço no G-3, que atualmente é composto por Gabriel Casagrande, Daniel Serra e Barrichello, respectivamente.

O próximo compromisso de Ricardo Zonta será entre os dias 2 e 3 de julho, no Velopark, na cidade de Nova Santa Rita (RS), ao lado dos seus companheiros de time Átila Abreu e Galid Osman. A pista do Velopark conta com características como traçado curto e duas pequenas retas. Mesmo com o pódio conquistado em 2018, Zonta comenta que é uma prova difícil.

“O Velopark tem o traçado mais curto de todo o campeonato com apenas 2.278 metros de extensão. Com isso, os tempos na classificação prometem ser muito equilibrados. É o traçado mais curto da temporada com duas retas e dois trechos mistos de baixa velocidade com freadas muito fortes, exige muita técnica. O essencial é já nos primeiros treinos definirmos uma boa estratégia e com isso fazermos uma boa classificação para buscar as primeiras posições no grid”, explanou.

Ricardo Zonta, de 46 anos, aproveitou a oportunidade para fazer um “balanço” de 2022 até aqui, da importância de ex-pilotos brasileiros da Fórmula 1 na Stock Car e o cenário da principal categoria do automobilismo. Confira abaixo:

Yahoo Esportes: Qual é o balanço da sua temporada até aqui?

Ricardo Zonta: Tivemos um começo promissor, mas que os resultados não se converteram e no Velocitta conseguimos uma boa virada e voltamos para a luta pelo título! Temos oito etapas pela frente e os resultados serão determinantes.

Yahoo Esportes: Há uma expectativa enorme no Brasil pelo surgimento de um novo Ayrton Senna. Esse tipo de esperança aumenta pressão para um piloto seja ele na F1 ou qualquer categoria?

Ricardo Zonta: Para isso a base é fundamental. No Brasil, acabamos por quase uma década não tendo um campeonato de formação como era a Fórmula 3 Sul-Americana, em que muitos brasileiros como eu iam para a Europa já com uma base e com um foco que era a Fórmula 1. Esse hiato eu espero que seja recuperado agora com a F4 Brasileira e que possamos em um futuro próximo ter brasileiros na F1. Quanto a pressão ela existe sempre, pois não é fácil chegar a maior categoria do mundo. O importante é ter uma base boa, apoio da família e de pessoas que possam tornar esse crescimento positivo.

Yahoo Esportes: Assim como você, a Stock conta com diversos pilotos ex-F1. Qual a importância disso para a categoria?

Ricardo Zonta: Na disputa somos todos iguais, mas é inegável que a nossa bagagem acaba somando bastante. No trabalho com as equipes acho que agregamos muito em termos de produtividade, pois acabamos com uma formação extremamente profissional, o que é muito positivo. Na visibilidade acabamos atraindo um foco maior para a categoria.

Yahoo Esportes: Você teve uma passagem na F1 no final da década de 90 e início dos anos 2000. Na sua opinião, o que faltou para ter uma carreira mais longeva na F1?

Ricardo Zonta: Eu tenho a sensação de missão cumprida, pois tive na F1 por quase 10 anos. Chegou uma hora que queria estar mais próximo da família e a Stock Car já era uma possibilidade de correr no Brasil, pois estava em um nível bem alto. A decisão foi tomada de voltar a competir no meu país e também participar da administração das empresas da minha família. Talvez algumas circunstâncias poderiam ter sido diferentes, mas isso acontece em toda a carreira. Me sinto muito feliz com a minha trajetória, pois fui campeão por onde passei como a World Series, a F3000 (atual F2), o Mundial de FIA GT.

Yahoo Esportes: Quais são os desafios para os brasileiros retornaram à F1?

Ricardo Zonta: O desafio hoje é ter a base e, principalmente, um patrocinador que apoie desde o começo da carreira. Para chegar à F1 o fator financeiro acaba sendo tão ou mais relevante quanto o talento do piloto.

Yahoo Esportes: O Brasil é um dos países mais importantes da história do automobilismo. Como fazer para manter essa tradição?

Ricardo Zonta: Somos um país apaixonado por automobilismo e temos grandes e fortes categorias principalmente de turismo, que atraem o público nos autódromos e na TV. Então, se hoje a F1 não há brasileiros, temos que pensar em divulgar o trabalho que é feito aqui com muito profissionalismo em competições de alto nível.

Yahoo Esportes: Sobre a F1 atual, tem acompanhado? Qual piloto você mais gosta? Nesta temporada, na sua visão, quem é o favorito ao título nesta temporada?

Ricardo Zonta: Acompanho, sim. Eu gosto bastante do Charles Leclerc. Acho que o título vai acabar ficando entre a Ferrari e Red Bull, mas acho que será um campeonato bem mais disputado que nos anos anteriores. Não com tanta vantagem na pontuação, o que vai deixar a temporada ainda mais legal

Yahoo Esportes: Quais são os planos de Zonta para os próximos anos dentro das pistas?

Ricardo Zonta: Meus planos são seguir disputando a Stock Car com alta competividade e isso tenho conseguido. Me preparo muito fisicamente e, ainda, tenho muita vontade de competir. Acho que essa vontade de chegar à pista, de entrar no carro e acelerar é o que move um piloto a ter cada vez mais garra e isso tenho de sobra. Ainda tenho também projetos para fazer algumas corridas fora do Brasil nos próximos anos. Enfim, muita coisa boa para acontecer!

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