Richarlison exorciza maldição da nove e prova que tem muito mais que carisma do 'Pombo'

Richarlison não é nem nunca foi referência de um camisa nove clássico no Brasil. Sua marca com a camisa nove da seleção brasileira passou sempre pela efetividade. Os dois gols na estreia da Copa do Mundo diante da Sérvia exorcizam uma certa maldição com os centroavantes que tentaram, sem sucesso, repetir feitos como o de Ronaldo, autor de 15 gols em quatro edições do torneio. E o fazem subir de patamar na história do país nas Copas com um lance raro de voleio.

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Havia nove jogos em que um centroavante com o número tão tradicional nas costas não marcava pelo esquadrão pentacampeão. O último foi Fred, em 2014, na vitória por 3 a 1 sobre Camarões, na primeira fase. Passou em branco até a eliminação para a Alemanha. Em 2018, Gabriel Jesus assumiu o posto e passou a Copa da Rússia sem balançar as redes.

Mesmo com a recuperação recente do antigo dono da camisa nove, e a ascensão de nomes como Pedro, no Flamengo, Richarlison se manteve na ponta da disputa e se consolidou na seleção de Tite entregando resultados, embora tenha ficado marcado em muitos momentos pelo carisma.

Com os dois gols no Lusail, o centroavante deixou Neymar para trás e se tornou o artilheiro da seleção brasileira no ciclo que termina no Catar, com 19 gols em 39 partidas. Marca que passa em alguns momentos despercebida quando Richarlison exibe a comemoração do “Pombo” e solta frases que emplacam boas manchetes e memes.

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— Como o professor Tite fala, não sei se vocês estão sentindo o cheirinho de gol, mas aqui na Seleção eu broco mesmo. É continuar, aproveitar os companheiros que tenho do meu lado. Hoje no intervalo conversei com eles e falei que precisava de uma bola, e ela chegou. Eu estava preparado e consegui balançar as redes — afirmou o camisa nove.

Richarlison passou todo o primeiro tempo e o começo do segundo com dificuldade de finalizar a gol. Teve paciência, e manteve o trabalho tático que prevê não só a disputa com os zagueiros na fase ofensivas, mas sobretudo a recomposição quando o Brasil não tem a bola.

Antes de estourar na Inglaterra, o capixaba de Nova Venécia jogou como ponta. Revelado pelo América-MG, já tinha faro artilheiro, quando acabou negociado com o Fluminense. O clube carioca o vendeu ao Watford, e a partir daí a evolução não parou mais. Também foi goleador no Everton, até chegar ao Tottenham. O sucesso na Premier League tornou o atacante indiscutível, mas a cada partida pela seleção a sensação era de que Richarlison precisava provar algo a mais.

O golaço de voleio parece ter chegado na hora certa para atestar que o Brasil tem, sim, um camisa nove de confiança. Antes da convocação para a Copa do Mundo, Richarlison conviveu com uma lesão muscular que o preocupou sobre a presença no Catar.

Depois de ser confirmado, correu contra o tempo para entrar em forma novamente e não deixar a concorrência de Pedro e Gabriel Jesus abalar a sua titularidade. Nos treinos desde Turim, exibiu alta competitividade e chegou a ensaiar o gol de voleio igualzinho ao do jogo.

—Há quatro anos eu estava chorando. É um sonho realizado — resumiu, ao lembrar a derrota para a Bélgica na Rússia, em 2018.