Rio aguarda novas doses para aplicar reforço contra a Covid-19 em não idosos e prevê começar a vacinar grupo em dezembro

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RIO — A prefeitura do Rio ainda aguarda a chegada de novas doses de vacina contra a Covid-19 para ampliar a aplicação do reforço em não idosos. Segundo o secretário municipal de Saúde Daniel Soranz, o Rio prevê começar a terceira dose em não idosos apenas em dezembro. O Ministério da Saúde ampliará a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 aos adultos de 18 a 59 anos. Antes, a medida era autorizada para idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde. O intervalo, que antes era de seis meses para os três grupos, cairá para cinco para todo o público-alvo.

— É preciso escrever e dar esse comando para a rede. O anúncio sem pactuação para rede só gera confusão. As doses ainda não foram entregues para o Ministério e não teve antecipação de vacinas até agora. Para esse mês não é possível começar. Tentaremos antecipar para dezembro provavelmente, mas depende da chegada das vacinas — disse o secretário municipal de Saúde Daniel Soranz ao GLOBO.

Somente no Rio, dados do sistema Tabnet de vacinação da prefeitura mostra que até o dia 16 de junho, há cinco meses, 173 mil adultos com até 59 anos receberam a segunda dose da vacina na cidade.

A poucos dias de terminar a imunização de reforço em todos os idosos, a cidade do Rio já sente na ponta os benefícios da terceira dose da vacina contra a Covid-19. Um levantamento realizado pelo estatístico Rafael Izbicki, professor da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo, a pedido do EXTRA, com dados da cidade do Rio mostra os efeitos positivos da terceira dose nos casos de internação de Covid-19 na cidade. Os números mostram que nas últimas semanas a idade média dos internados caiu de 69 para 59 anos. Outro sinal da influência da dose extra também já reflete nos números: a cada semana diminui a proporção de novas hospitalizações por coronavírus de quem tem mais de 75 anos em relação aos mais novos.

O levantamento feito pelo matemático usando dados de hospitalizações divulgados semanalmente pelo Ministério da Saúde na plataforma Opendatasus, que reúne as informações de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave. Para realizar a projeção, Izbicki fez um recorte para as pessoas com mais de 75 anos por esse grupo já estar há mais de um mês recebendo a dose de reforço. A terceira dose a contra a Covid-19 começou a ser aplicada nos idosos da capital no dia 13 de setembro, com todos aqueles que tinham 95 anos ou mais. Da mesma forma que o início da campanha de vacinação, o calendário foi avançando escalonadamente até os 60 anos, previsto para os próximos dias.

Do início da pandemia até o começo da vacinação em janeiro de 2021, a idade média dos internados por coronavírus na capital variava entre 60 e 65 anos. Após o início da imunização gradualmente o índice foi caindo, chegando ao menor patamar em junho. Foi neste mês, inclusive, que aumentaram a percepção dos médicos da linha de frente que havia mudado o perfil dos internados: os mais jovens ocupavam os leitos que antes só idosos ficavam. O mês de junho terminou com o calendário vacinando com a primeira dose cariocas de 44 anos.

Nos meses seguintes houve a interseção temporal de dois fatores que influenciaram a idade média dos internados voltar a subir. O primeiro foi o avanço da cobertura vacinal entre os mais jovens, que terminou de imunizar em agosto todos acima de 18 anos. Junto disso, o início do segundo semestre foi o momento em que pesquisadores começaram a discutir a necessidade de uma dose de reforço aos idosos, por ter indícios de queda na proteção deste grupo.

Em outubro a proporção de idosos acima de 75 anos foi a maior de toda a pandemia: 41% dos hospitalizados estavam nesta faixa etária. Entretanto, com a redução nas últimas semanas o índice já está em 30%.

— A idade média dos internados por casos graves de Covid (SRAG) está consistentemente caindo nas últimas semanas. A idade média atingiu o pico máximo de 69 anos em setembro, maior que antes da vacinação. O percentual de idosos maiores de 75 anos entre os pacientes internados também vem consistentemente caindo — analisa Izbicki.

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