Rio começa hoje a campanha de vacinação para quem tem de 5 a 11 anos

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No dia em que o Rio inicia a campanha de imunização infantil contra a Covid-19, pais e mães de crianças que realizam tratamentos no Instituto Nacional de Câncer (INCA) intensificam a torcida para que seus filhos estejam aptos a receber doses da vacina. É o caso da pequena Giovana Vitória, de 6 anos, que há cinco meses passa por sessões de quimioterapia para combater uma leucemia descoberta no último ano. A queda de imunidade provocada pelo tratamento contra o câncer faz com que seja necessária uma série de exames, além de autorização médica para a aplicação das doses. Mesmo em meio a mais uma internação da filha, a mãe de Giovana, Flávia do Carmo, não perde a esperança de vê-la vacinada em breve.

— Sonho em ver a minha filha curada do câncer e imunizada contra a Covid. Mesmo porque, quando ela receber a autorização para a vacina é sinal de evolução do quadro clínico contra a leucemia. Enquanto eu torço para que minha filha receba a vacina, ainda sem poder, vejo pais e mães que não vão imunizar os seus filhos. Na minha opinião, levar os filhos para a vacinação é uma prova de amor e, em breve, eu estarei levando a minha também — diz.

Moradora de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Giovana inicia hoje uma nova internação no INCA, no Centro do Rio, onde será submetida a mais sessões de quimioterapia. Até o final do mês, um novo exame pode significar a autorização para que ela receba a vacina. No mesmo local, o pequeno Pedro Rodrigues, de 10 anos, passou por tratamento recente e, diante dos bons resultados dos exames, recebeu a liberação médica para ser vacinado.

— Já fui (vacinado) antes, nem dói. Vários amigos meus já foram e agora vou falar para eles que fui também — diz Pedro, que também tem leucemia, mas diz ser corajoso para enfrentar a agulha e os tratamentos necessários para a evolução clínica: — O médico fala que eu não tenho medo de nada. E não tenho mesmo. Quero jogar futebol e lutar judô com os meus amigos de novo — completa.

O pai dele, Jorge Rodrigues, conta que a confirmação de que o filho poderia receber e dose contra a Covid-19 veio no dia em que completou 45 anos.

— Foi o maior presente que eu poderia ganhar. Em breve, quero receber a notícia de que o meu filho está curado do câncer. Enquanto isso não acontece, comemoro, sim, a notícia de que a vacina vai ser aplicada e que, em caso de contaminação, qualquer sintoma da Covid-19 vai ser mais brando. Há um ano precisamos redobrar os cuidados em casa para evitar uma contaminação, já que o Pedro passou por períodos em que a imunidade foi considerada baixíssima. No bar, no trabalho, na fila do banco, sempre peço para que os pais imunizem seus filhos. Não percam esta chance de vaciná-los. É tudo o que peço — diz.

TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE A VACINAÇÃO INFANTIL

Meninas de 11 anos já podem receber a vacina hoje, e os meninos poderão se vacinar amanhã. Na quarta-feira haverá repescagem para meninos e meninas de 11 anos. Crianças de 5 a 11 com comorbidade ou deficiência permanente também podem se vacinar a qualquer momento, mediante a apresentação de laudo médico que comprove a condição de saúde.

Nem todas definiram seus calendários. Em Nova Iguaçu, crianças de 5 a 11 anos com comorbidades e deficiência permanente podem se vacinar em pontos exclusivos como as clínicas da família de Jardim Palmares, Lagoinha, Cacuia e Comendador Soares. Em Niterói, a imunização começa para as crianças de 11 anos, com comorbidades e deficiências permanentes em três policlínicas (Engenhoca, Vital Brazil e Itaipu). Em São Gonçalo, a vacinação só começa amanhã em 34 locais.

A vacina tem eficácia cientificamente comprovada na prevenção de casos graves e mortes por Covid-19, bem como na redução da transmissão da doença.

Sim. Pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm),Isabela Ballalai destaca que a segurança da vacina é comprovada não apenas por estudos clínicos, mas também por dados de países que já imunizam as crianças. “Até dezembro, os Estados Unidos já tinham aplicado quase 9 milhões de doses e relatado apenas 4,8 mil casos de efeitos adversos (cerca de 0,05% do total de aplicações). Desses casos, 97% foram de efeitos leves, como dor no braço ou na cabeça. Houve 11 episódios de miocardite (inflamação nas células do músculo do coração), e em todos eles as crianças se recuperaram bem. São casos leves e muito raros. A própria Covid-19 causa muito mais eventos de miocardite do que a vacina”, informa a médica.

O prazo é de 14 dias após a segunda dose, como no caso dos adultos.

As mesmas observadas nos adultos: dor no local, inchaço, vermelhidão, febre e dor de cabeça. No entanto, geralmente, as reações nas crianças são mais brandas do que nos adultos.

O intervalo estipulado no Rio é de oito semanas, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha aprovado o prazo de 21 dias.

De acordo com a bula da vacina, apenas para quem tem alergia a algum dos componentes do imunizante.

Não, mas ela deve estar acompanhada de qualquer pessoa maior de 18 anos, como pais, avós, tios e padrinhos, no ato da vacinação.

Não. Para vaciná-lo, é preciso aguardar quatro semanas desde o dia do início dos sintomas (ou do diagnóstico positivo em teste no caso dos assintomáticos).

A caderneta de vacinação da criança é suficiente como documento a ser apresentado no posto de saúde. No entanto, é recomendado que pais e responsáveis levem o CPF do menor, para facilitar o registro da aplicação no sistema. Para aqueles que não tiverem, a não apresentação não impede a vacinação. No caso das crianças com comorbidades que receberão a vacina antecipadamente, é preciso apresentar qualquer comprovante que demonstre a condição de saúde.

Nas Clínicas da Família, Centros Municipais de Saúde e pontos de vacinação listados no endereço https://coronavirus.rio

/vacina/.

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