Rio desponta como um dos principais destinos para noivos que buscam luxo ou festas na praia

Ludmilla de Lima
Rio como cidade casamenteira. Casamento no Aquario

RIO — Foram quatro dias de fortes emoções por cartões-postais do Rio. O casamento da gaúcha Claudia Innig e do milanês Andrea Marini, que atraiu para cá 200 convidados — metade de Porto Alegre e metade da Europa — começou com uma cerimônia religiosa no Cristo Redentor numa quinta-feira e terminou no domingo, com todos no Maracanã para o jogo do Brasileirão entre Fluminense e Goiás. E teve ainda pool party , torneio de tênis, churrasco com escola de samba e uma segunda celebração num hotel boutique de Santa Teresa com festa tropical. O casal, que mora em Milão, resolveu selar a união em solo carioca porque foi aqui que se encontraram pela primeira vez em 2016, após terem se conhecido dois anos antes, num jantar de trabalho, em Genebra.

Mas Claudia e Andrea não são os únicos a pegarem avião para se casarem sob as bençãos de São Sebastião. Desde o ano passado, o Rio se consagra como cidade casamenteira. Os casais fincam seus pés na areia ou celebram num quiosque de Copacabana ou num cenário mais histórico e bucólico, como o Parque Lage. Já teve até casamento entre tubarões no AquaRio. Uma pesquisa sobre Destination Wedding da Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) revela que os casórios já respondem por 12% da ocupação na capital. No interior, correspondem de 50% a 90% do total.

No levantamento, os estabelecimentos informaram que essa procura disparou desde 2018. No Hotel Santa Teresa, que integra o Roteiros de Charme e funciona num casarão histórico de 1850, o crescimento foi de 40%. Lá, os casais (vejam só!) se unem até no Bar dos Descasados. Padre Omar, reitor do Santuário Cristo Redentor, diz que as cerimônias simplesmente dobraram por lá. Para ele, o divisor de águas no Cristo e também nesse mercado no Rio foi o casamento da modelo Michelle Alves com o empresário americano Guy Oseary, em outubro de 2017, que atraiu estrelas internacionais como Madonna, Bono Vox, Demi Moore, Ashton Kutcher e Chris Rock e estampou jornais e revistas mundo afora.

— Esse casamento teve repercussão mundial. O Cristo é o garoto propaganda desse novo case que está surgindo no Rio — diz padre Omar, que, em janeiro deste ano, também ministrou aos pés do Cristo a união do Dj Alok com a médica Romana Novais.

Claudia e Andrea, ambos gerentes de marketing, organizaram tudo à distância para que os amigos fizessem um passeio completo pela cidade.

— Nos sentimos abençoados de ter sobrevivido a tantos obstáculos, distâncias e barreiras culturais. Tivemos o apoio de muitos amigos e, por isso, decidimos celebrar, junto com eles, nosso casamento na cidade que acolheu o nosso amor — conta Claudia.

O casamento no Cristo acontece na pequena capela ou do lado de fora, e os preços são democráticos: o custo inicial é de R$ 2.700. E já virou tradição entre os famosos fazer uma generosa doação ao santuário, que usa o dinheiro para unir casais que não têm muito, mas também sonham alto. Padre Omar diz que são realizadas pelo menos duas celebrações por semana, o dobro do ano passado. O Bondinho do Pão de Açúcar, no ano passado, foi procurado para dois casamentos. Este ano, já foram 46.

— Somos o principal destino nacional e estamos crescendo também internacionalmente. Hoje temos hotéis especializados em casamentos, com grande procura nos países do Mercosul e nos Estados Unidos — comenta Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ, dando um outro fator de peso. — Nosso pano de fundo é imbatível.

Algo comum é você ter no altar casais que moram fora, mas que um deles é do Rio. A modelo carioca Alina Andrade e o médico americano Lee Koon, que vivem em Phoenix, escolherem festejar o amor eterno no Hotel LSH, de frente para o mar da Barra, para ficar perto da família dela, da Zona Oeste. Foram cem convidados:

— Casei no hotel pela facilidade de estar hospedada no mesmo lugar onde seria a festa. Troquei de roupa três vezes, e eu e minhas madrinhas nos arrumamos no meu quarto —explica ela. — Realizei um sonho de criança.

Na semana retrasada, organizadores de casamentos de todo o país e também da Europa se reuniram no evento Destination Wedding Lab, num hotel de luxo de Copacabana, quando foi lançada a hashtag #eucasocomorio. Manoela Cesar, consultora de casamentos e idealizadora do encontro — que acontecerá no começo de 2020 em Lisboa com foco na Cidade Maravilhosa —, explica que, no país, o estado é o mais procurado pelos noivos. A capital ainda divide a preferência com Búzios.

— Os destinos mais procurados no país, não necessariamente nessa ordem, são Fernando de Noronha, São Miguel dos Milagres (em Alagoas), Trancoso (na Bahia), Rio, Búzios e fazendas do interior de São Paulo — enumera Manoela, explicando que o Rio quer ficar entre os top 5, onde figuram Cancún, Paris e a região da Toscana. — O Rio é um destino perfeito para casar. Tem propriedades históricas, hotéis de luxo e praia.

Em Copacabana, o quiosque Coisa de Carioca entrou no clima romântico ao acaso: foi procurado, no ano passado, por um casal de noivos de Niterói e, graças ao boca a boca, juntou este ano uma carioca e uma belga. Agora, oferece pacotes de R$ 120 a R$ 150 por convidado. O AquaRio, após dois funcionários trocarem alianças em frente a tubarões, raias e afins, resolveu abrir as portas para midi weddings , com até 150 pessoas. A partir de R$ 15 mil, é possível fazer como o casal pioneiro, o biólogo Rodrigo Marraschi e a enfermeira Priscilla de Souza.

— Convidamos 50. Mas, por ser no aquário, apareceram 70 — revela ele, contando que o bufê teve só comidinhas vegetarianas. — E é um lugar muito aconchegante.

Roberto Cohen, cerimonialista cuja fama atravessa fronteiras, diz que as atrações do Rio e voos direto da Europa fazem da cidade uma preferência no país:

— Você tem no Rio desde o destination wedding ao elopement wedding , quando é feita a renovação e votos ou um casamento só para os noivos — diz ele, acostumado a organizar cerimônias cinematográficas, como o da socialite americana Amy Terry com o armador grego Basil Mavroleon, que durou três dias. Amy explicou à Vogue internacional:

— Da corrida de táxi do aeroporto até a cidade, o Rio sempre vale a pena.