Rio e São Paulo perdem participação no PIB nacional, aponta IBGE

Pedro Capetti
São Paulo perde participação no PIB em 2017, mas segue como principal economia do país

RIO — As cidades do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) perderam participação no PIB brasileiro entre 2016 e 2017. Dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE apontam que as duas maiores metrópoles do país caíram de 16,2% para 15,75% na contribuição de tudo o que foi produzido no país em um ano. A despeito do resultado, ambas permanecem como as maiores economias do país, respectivamente.

Nos últimas décadas, as duas cidades vêm perdendo participação na dinâmica econômica brasileira. Em 2002, a participação de ambos os municípios era de 19%. Segundo o IBGE, o encolhimento ocorre em virtude da diminuição dos seus setores industriais e de serviços nos últimos anos. Como consequência disso, a dinâmica econômica brasileira está ficando mais distribuída pelo território nacional.

Entre 2016 e 2017, a perda de participação ocorreu em função das atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, bastante concentrada na capital paulista e que apresentou, naquele período, redução das operações de crédito e das taxas de juros. No Rio de Janeiro, a queda concentrou-se no setor da construção civil, principalmente após as obras de infraestrutura realizadas para os Jogos Olímpicos.

A redução da participação da capital do estado do Rio de Janeiro vem ao encontro do resultado do PIB fluminense para o ano. No primeiro ano de recuperação econômica, o Produto Interno Bruno (PIB) do estado do Rio de Janeiro retraiu 1,6% em 2017, na contramão do desempenho nacional, que foi de crescimento de 1,3%.

Além da queda das principais metrópoles do país, outras reduções de atividades foram registradas grandes cidades brasileiras, como São José dos Campos (SP), Belo Horizonte (MG) e Betim (MG). Na capital mineira, a redução da construção civil impactou no crescimento econômico da cidade.

Já em São José dos Campos, a diferença negativa de participação esteve atrelada às indústrias de transformação. Em Betim, município da região metropolitana de Belo Horizonte, o desempenho vinculou-se à indústria de refino de petróleo, na qual houve aumento de custos de matéria-prima.

Segundo o IBGE, a atividade da geração elétrica eólica tem alavancado o desenvolvimento regional em algumas cidades. Curral Novo do Piauí (PI), cidade com mais de 4,8 mil habitantes, foi o município com o maior avanço entre 2016 e 2017 – subindo 3.400 posições em um ano – desempenho influenciado pela indústria de geração eólica. Bodó (RN) e Simões (PI), segundo e terceiro maiores ganhos de posição, também tiveram resultado atrelado à atividade de geração elétrica eólica.

Petróleo beneficia Maricá e Niterói

A extração de petróleo e distribuição de royalties beneficiaram Maricá e Niterói, que apresentaram um dos maiores aumentos absolutos no período. Segundo dados do IBGE, os dois municípios tiveram naquele ano um PIB de R$ 11,4 bilhões e 27,4 bilhões, respectivamente.

Além dos dois municípios fluminenses, Parauapebas (PA), Ribeirão Preto (SP) e Goiana (PE) apresentaram um dos maiores crescimentos absolutos, em meio à recessão econômica brasileira. O município paulista apresentou o quarto maior ganho de participação devido às Indústrias de transformação e ao comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas.

Para Goiana (PE), foi determinante o aumento da produção da indústria automobilística entre 2016 e 2017. A cidade é sede de uma das fábricas da Fiat Chrysler Automobiles (FCA)

Em Parauapebas (PA) o aumento em valor do PIB também se justificou pelas Indústrias extrativas, neste caso pela extração de minério de ferro, que teve a produção em 2017 alavancada pelo início de operações de nova mina.