Rio gelado: Estado e capital podem ter mínimas recordes com chegada de frente fria

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A despedida de julho será gelada por todo o Estado do Rio de Janeiro. Nos próximos dias, a previsão é de variação de temperatura. Pode esquentar nesta segunda e terça-feiras, mas os termômetros terão uma queda acentuada já a partir de quarta com a chegada da massa de ar frio mais forte a alcançar o Rio este ano. Segundo a MetSul Meteorologia, a expectativa é que seja registrado novo recorde no ano de baixa temperatura. Todo o estado vai sentir a mudança no tempo, mas em especial as áreas tradicionalmente mais frias, como o Sul e a Região Serrana.

De quarta para quinta-feira, segundo a empresa, pontos já costumeiramente mais frios na cidade do Rio devem registrar temperaturas entre 7 e 8 graus, como na Vila Militar e no Alto da Boa Vista, podendo diminuir ainda mais. Já a expectativa de neve se dissipou para Itatiaia — que tem os registros mais baixos no parque nacional. Na região deve ter geadas, como ocorreu em outras ocasiões neste inverno. Para enfrentar o frio da maneira correta, abaixo, a pediatra e alergista Selma Sabrá dá dicas de como cuidar da casa e da saúde.

Os ventos ganham força a partir de quarta-feira, o que vai causar uma queda também na sensação térmica, segundo a MetSul. É neste período que a temperatura terá maior queda, principalmente na madrugada e na manhã de quinta-feira. O ar frio, por ser mais denso, vai movimentar a massa de ar e gerar vento. Na previsão, podem chegar à velocidade de 31 km/h. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê vento moderado e rajadas para o dia.

"À noite, quando a temperatura cair de 10 a 12 graus, o vento vai trazer a sensação de 7 ou 8 graus. O vento vai potencializar a sensação de frio", prevê a MetSul para o Rio.

As chuvas, que não marcam tanta presença na estação e andam ainda mais escassas no Brasil este ano, voltam a aparecer nos próximos dias, com pancadas já a partir de quarta, segundo o Climatempo. O tempo mais úmido vai contribuir para uma sensação maior de frio, mesmo não marcada pelos termômetros. Já a partir de sexta-feira, as condições mais secas tornam o ambiente propício para a geada em pontos da Região Serrana.

— Tem uma chance bem alta de serem as temperaturas mais baixas, se assemelhando com a primeira onda de frio no fim de junho e começo de julho. Pode ter tanto a manhã mais fria do ano como a tarde mais fria nesta semana. Deve ter sim uma condição bem fria prevista. Pode sim bater a menor temperatura do ano — diz o meteorologista César Soares, do Climatempo.

As previsões do tempo entre os órgãos variam, com média de três graus de diferença. A expectativa de frio mais intenso e de ventos mais fortes é comum a todas. Para a capital, de acordo com o Climatempo a semana terá:

segunda-feira: mínima de 12 graus e máxima de 31 graus; sol e sem nuvens

terça-feira: mínima de 14 graus e máxima de 32 graus; sol com algumas nuvens

quarta-feira: mínima de 14 graus e máxima de 24 graus; sol com muitas nuvens a nublado e pancadas de chuva no fim da manhã

quinta-feira: mínima de 11 graus e máxima de 18 graus; sol com pancadas de chuva de manhã e muitas nuvens à tarde

sexta-feira: mínima de 9 graus e máxima de 20 graus; sol com muitas nuvens a nublado

sábado: mínima de 11 graus e máxima de 22 graus; sol com muitas nuvens a nublado

As chuvas, que não marcam tanta presença na estação e andam ainda mais escassas no Brasil este ano, voltam a aparecer nos próximos dias, com pancadas já a partir de quarta, segundo o Climatempo.

A MetSul Meteorologia indica chance de neve apenas para o Sul do Brasil nesta semana. Apesar das baixíssimas temperaturas nas alturas do Parque Nacional de Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, condições típicas da região não são favoráveis ao fenômeno:

"A chance em Itatiaia é pequena porque só operam camadas de inversão térmica, diferentemente do que vai acontecer no Sul do Brasil onde todo o perfil vertical da atmosfera, ou seja, da base da nuvem onde surge a neve até o chão, todo o perfil vai estar favorável. É muito comum na região do Itatiaia, pela sua grande altitude, existirem camadas de inversão térmica, ou seja, camadas mais quentes, de temperaturas mais altas, aí isso poderia prejudicar a ocorrência de neve. Tecnicamente não é possível se descartar. Mas é uma chance muito pequena", segundo a MetSul.

A geada, no entanto, deve marcar presença mais uma vez no parque, que já teve registro nesse ano. De acordo com o Inmet, responsável por operar no local a estação que marcou recorde esse ano com 9,9 graus negativos, a paisagem deve ser renovada na sexta-feira, com mínima de 0 grau e máxima de 20 graus.

O mês pode ser tradicionalmente de férias, mas o frio faz parte do charme da região. O Hotel Terras da Finlândia,em Penedo, em Itatiaia, está lotado, movimento acima do ano passado quando ainda não havia a vacinação Contra a Covid-19 e as medidas de restrições eram mais rígidas no estado. Os hóspedes vão de malas cheias com itens para enfrentar as baixas temperaturas, conta Ana Paula Oliveira, gerente de vendas da unidade:

— Penedo sempre deu muito movimento. E agora, tem fila para entrar. As pessoas trazem casaco, touca, luva. Principalmente o carioca vem atrás do frio e gostam de ir ao parque nacional. Além desse passeio, recomendamos aproveitar os festivais de fondue.

Também em Penedo, o Hotel Bougainville vê as reservas aumentarem durante os meses das férias. Os visitantes são principalmente da cidade do Rio ou da Baixada Fluminense e cerca de 10% do estado de São Paulo. O perfil do público é formado 50% por casais e 50% por famílias com filhos.

— O frio é atrativo nessa época do ano — aponta Oneglia Cavalcanti, gerente do hotel.

Cuidados com a casa e com o corpo

Se por um lado há os caçadores de frio, quem busca se proteger ao máximo pode deslizar e acabar cometendo erros que podem causar o efeito contrário. Os ambientes fechados já são apontados há tempos como um vilão, isso bem antes da pandemia de Covid-19. Nas estações com temperaturas mais baixas é que vírus e bactérias tendem a se propagar com facilidade e a falta de circulação do ar é um dos agravantes.

Sintomas como coriza e obstrução nasal que agravados podem resultar em crises de sinusite, bronquite e asma se tornam mais frequentes, segundo a pediatra e alergista Selma Sabrá. E no caso de viroses, a chance de contágio também fica elevada.

— Pelo ambiente ficar mais fechado isso favorece até a propagação de viroses. O paciente que já é alérgico, que de um modo geral já tem sintomas respiratórios, isso piora por conta da diminuição da temperatura. Normalmente, esfria muito, a temperatura cai, e aí começam os sintomas a ficarem mais evidentes, principalmente quem já tem alergia porque o ambiente fica mais fechado, não tem a necessidade de arejar o ambiente porque está ventando ou frio e com isso os sintomas ficam mais evidentes — conta a médica.

Se o Rio de Janeiro é conhecido pelas altas temperaturas, a hora de tirar casacos e cobertores do armário é um dos momentos que exigem atenção, em especial para quem tem alergias. Nesta segunda e terça-feiras, o sol aparece ao longo do dia. Essa é a hora de pegar vestimentas e cobertas para pegar um arzinho, tirando o cheiro "de guardado", que pode ter origem de ácaros e mofo. Quem preferir lavar para tirar a poeira, também pode aproveitar para secar bem as peças.

Em momentos mais quentes do dia, o ideal é abrir as janelas para deixar o ar circular e arejar a casa. Os cuidados são muitos, que vão desde a temperatura certa na hora do banho à atenção em manter a rotina de lavar bem as mãos. A pediatra e alergista Selma Sabrá indica o que requer atenção nesta época.

Atenção com a casa:

- Colocar no sol para poder arejar casacos, mantas, cobertas e cobertores

- Lavar bem as roupas para tirar as poeiras, mas sem deixar o cheiro de produtos, como amaciantes e detergentes, em especial para uso por pessoas que têm alergia. Pode optar pelo uso de produtos neutros

- Não varrer a casa com vassoura, mas passar pano úmido ou aspirador. Varrer levanta a poeira, o que é pior em ambientes que tendem a ficar fechados

- Tapetes e cortinas têm que ser aspirados para evitar o acúmulo de poeira

- Caso não seja possível higienizar sofás e poltronas, cobri-los com um lençol durante o uso, a ser trocado pelo menos uma vez por semana

- Para as crianças, evitar bichinhos de pelúcia ou lavá-los e higienizá-los

Cuidados com o corpo:

- Fazer atividade física é bom e necessário, mas sem se expor sem estar devidamente agasalhado

- Evitar alimentos gelados porque isso mantém o corpo mais frio. Opções de alimentos e bebidas mais quentes são melhores

- Manter-se hidratado bebendo água, o que auxilia também na peleEvitar banhos muito quentes. Os hidratantes corporais são uma aposta para melhorar a pele, mas devem ser evitados produtos com aroma muito forte e requer atenção ao rótulo de componentes para quem tem alergias (opções hipoalergênicos são mais indicadas)

- Lavar bem as mãos e com frequência. Em temperaturas mais baixas, vírus e bactérias se propagam de maneira mais fácil

- Evitar locais fechados e com aglomeração

- Em casos de congestão nasal, dormir com a cabeceira da cama mais elevada

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