Rio inicia vacinação de guardas municipais; 548 agentes devem ser imunizados até sexta-feira

Rodrigo de Souza
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A expectativa tirou o sono do Inspetor Ailton Ramos. Nesta terça-feira (27), o guarda municipal levantou cedinho para ir à sede de sua corporação, em São Cristóvão. Às 8h em ponto, Ramos recebeu a injeção da primeira dose da vacina de Oxford/Astrazeneca do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, tornando-se o primeiro guarda municipal vacinado contra a Covid-19 na cidade do Rio.

— Foi um alívio no nosso coração. Estamos lutando há tanto tempo contra o vírus e pela vida dos nossos munícipes, que a chegada deste momento é muito emocionante para nós — afirma.

A Secretaria municipal de Saúde (SMS) iniciou nesta terça a vacinação de guardas municipais contra o coronavírus. Os agentes da GM são vacinados, seguindo o escalonamento por idade, na própria sede da Guarda Municipal em São Cristóvão, num posto exclusivo para a corporação. Nesta terça, são imunizados os guardas homens de 59 anos. Amanhã, será a vez das mulheres com 59 anos.

Só hoje, a GM espera vacinar 159 agentes. Até 11h30, cerca de 20 deles já tinham procurado o posto em São Cristóvão. Com o atendimento escalonado a guardas de outras faixas etárias, a corporação pretende vacinar, até o fim da semana, 548 agentes de 57 a 59 anos — 515 homens, 33 mulheres. Na semana que vem, se o cronograma seguir o ritmo planejado, a GM seguirá, em ordem decrescente, com outras idades a partir de 57 anos. Ao todo, a corporação tem 2.729 agentes de 50 a 59 anos.

Para o inspetor Ramos, que é hipertenso e trabalha na conscientização dos cidadãos para o uso de máscara e o respeito às normas de distanciamento social, a sonhada imunização dará mais segurança para o exercício de funções fundamentais ao enfrentamento da pandemia:

— Nosso propósito é proteger o bem maior, que é a vida. E para isso arriscamos as nossas próprias. Com a vacinação, aumenta a vontade de fazer o bem para a sociedade.

Antes de atuar na Ronda Escolar, para a qual foi designado como líder operacional no início deste mês, o agente Gilberto, que também foi vacinado nesta terça, trabalhava no combate às aglomerações. Em suas jornadas, chegou a percorrer a Rua Dias Ferreira, em Ipanema, na Zona Sul, em noites grandes movimentação. Apesar do alívio trazido pela imunização, ele frisa que, por recomendação das autoridades de saúde, manterá a rotina de cuidados sanitários.

— A minha esposa tem comorbidades (hipertensão e diabetes). Com a vacina, fico mais aliviado, claro. Mas tem gente que toma a primeira dose e já vai relaxando. Eu não vou deixar de fazer nada do que estou fazendo. Não podemos nos desfazer da máscara, do álcool e de todas as outras medidas que estamos tomando — diz ele.

Nesta segunda-feira, o Rio iniciou um novo calendário de vacinação contra a covid-19 voltado aos seguintes grupos prioritários: trabalhadores de serviços essenciais (limpeza urbana, guardas municipais, motoristas e cobradores de ônibus e condutores do transporte escolar, saúde), profissionais de educação, pessoas com comorbidades (incluídas na lista do Programa Nacional de Imunizações/PNI), gestantes com comorbidades, pessoas com deficiência e profissionais das forças de segurança.

Com exceção das gestantes com comorbidades, para todos os demais grupos a vacinação segue escalonamento por idade e gênero, começando por 59 anos. Os integrantes das demais forças de segurança também se vacinam em estabelecimentos de suas respectivas corporações.