Rio Innovation Week: especialistas defendem regulamentação do uso medicinal de cannabis

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O uso medicinal da cannabis, as oportunidades com a regulamentação para fins terapêuticos e os desafios políticos e sociais em torno do estigma da planta foram os temas da primeira manhã no palco Health Tech, no Rio Innovation Week. O evento, que acontece até domingo no Jockey Club, é o maior de inovação na América Latina e tem O GLOBO, CBN e Valor Econômico como parceiros de mídia.

Os médicos e pesquisadores Cesar Camara, Eduardo Faveret, Flavio Rezende, Romeo Fadul expuseram os avanços das pesquisas em torno do potencial médico da cannabis, que vai do tratamento da dor (em casos de enxaqueca crônica a cuidados paliativos, como câncer) ao transtorno do espectro autista.

— A cannabis tem efeitos em muitos transtornos neuropsiquiátricos, mas a indicação mais importante é no transtorno do espectro autista — diz Eduardo Faveret, sobre uma condição para a qual não existe medicação autorizada para tratamento. — Ela é central na melhora da interação social, atua na questão da agressão, devolve o sorriso.

Ansiedade e qualidade de sono, segundo Cesar Camara, são outros problemas para os quais a cannabis têm se mostrado altamente eficaz. Já no ataque à dor, diz Flavio Rezende, ela tem se mostrado uma opção ao uso de opioides. Todas essas frentes de pesquisa têm sido feitas, inclusive, no Brasil.

— Temos inúmeros bons médicos e cientistas estudando o tema da Cannabis no país — disse Romeu Fadul, que conclamou a sociedade a se engajar nas discussões públicas sobre o tema.

A importância do debate público também apareceu na mesa sobre Regulação, que reuniu João Perfeito, gerente da Anvisa para Medicamentos Específicos, Fitoterápicos, Dinamizados, Notificados e Gases Medicinais; a advogada Ana Camara; Margarete Brito. coordenadora Executiva da ONG APEPI; e Simone Pellegrino, gerente farmacêutica na Health Meds. Em março, inclusive, a Anvisa abre uma consulta pública para revisar a resolução 327, de 2019, que estabelece requisitos para comercialização nas farmácias de produtos com cannabis. Até hoje, a Anvisa já autorizou 10 produtos que precisam apresentar, num período de cinco anos, trabalhos científicos que comprovem sua eficácia para poder ganhar o status definitivo de medicamento. João Perfeito ressaltou os limites da agência quando se trata, por exemplo, do cultivo, algo que está fora do escopo legal de decisões do orgãos.

— É possível avançar, mas quem vai dizer é o nosso Congresso, que deve participar desse processo — avalia.

A participação de atores políticos nessa discussão sobre a cannabis foi ressaltada por Viviane Sedola na palestra que fez sobre sua empresa, a Dr. Cannabis, que ajuda pacientes a se conectarem com médicos que preescrevem cannabis e também no processo de importação legal dos medicamentos.

— Gostaria de ver nos planos de governo (dos candidatos na próxima eleição legislativa) a regulamentação da cannabis na pauta — diz Viviane.

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