Rio de Janeiro é 2º estado com mais baixo índice de processamento de exames de Covid-19

Renata Mariz; Leandro Prazeres; Daniel Gullino
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BRASÍLIA — Dos exames para Covid-19 que chegaram aos Laboratórios Centrais (Lacens) e parceiros, que são públicos e ficam espalhados nas 27 unidades da Federação, 72% foram processados, aponta o Ministério da Saúde. Mas há disparidades grandes: Paraná, Goiás, Tocantins e Amazonas têm mais de 90% dos testes feitos, enquanto Alagoas só fez 30% e o Rio de Janeiro, 42%, ocupando as piores colocações.

Em seguida, entre os estados com os menores índices, vêm Rio Grande do Sul (47% de exames realizados), Rondônia (49%) e Rio Grande do Norte (50%). São Paulo, epicentro da Covid-19 no país, por ter o mais alto número de casos e mortes, processou 84% das amostras recebidas, apontam os dados.

Os exames processados nos Laboratórios Centrais são os do tipo RT-PCR, considerados mais precisos porque identificam a presença do vírus. É o tipo de teste usado para fazer diagnósticos de doentes que chegam com sintomas na rede de saúde. 

O baixo processamento de exames por parte do Lacens de alguns estados do país não decorre necessariamente de falta de insumos, apontam os dados. Neste momento, segundo o Ministério da Saúde, há 2,6 milhões de insumos em estoque nos laboratórios de todas as unidades da Federação, que informaram a realização de um total de 423,4 mil exames realizados para Covid-19, até esta quarta-feira. A média atual é de 7 mil testes processados por dia no país.

Eduardo Macário, diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis da pasta, afirma, no entanto, que a existência de estoque de insumos nos laboratórios centrais não significa que sobra material no país:

— Não são testes que estão sobrando, pelo contrário: são testes disponíveis para serem processados — disse.

— A demanda vai acontecer conforme o número de casos, que está aumentando. Também vai aumentar a coleta de pacientes — completou Grace Madeline, diretora substituta do Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Ela disse que para os estados com baixa produtividade no processamento dos exames, a pasta vai adotar uma estratégia de enviar as amostras para outros centros de testagem que tenham mais capacidade. A ação deve começar "nas próximas semanas", segundo Grace. Ela não informou quais fatores levam a baixos índices de exames feitos em alguns locais.

O tempo de processamento dos exames feitos foi de até dois dias em 49,5% dos casos. E de três a cinco dias para 24,2%. Portanto, no total acumulado, cerca de 75% dos testes foram processados em até cinco dias, no acumulado, aponta a pasta.

Acre e Distrito Federal não estão no levantamento porque têm informações desatualizadas no Sistema de Gerenciamento de Ambiente Laboratorial (GAL), que é a fonte dos dados do Ministério da Saúde. A pasta ainda não tem acesso ao quantitativo dos exames processados em laboratórios particulares. Para o levantamento dos exames feitos na rede pública, além dos Lacens, o governo federal considera os três centros de referência de influenza no Brasil, além de laboratórios públicos parceiros ligados a outras pastas, como os do Ministério da Agricultura.

PR 96%

GO 93%

TO 93%

AM 91%

RR 89%

BA 87%

PA 87%

MS 85%

SP 84%

ES 83%

PE 77%

SC 76%

CE 72%

MG 67%

PI 67%

MA 66%

AP 60%

PB 55%

MT 54%

SE 54%

RN 50%

RO 49%

RS 47%

RJ 42%

AL 30%

Fonte: Ministério da Saúde. DF e Acre não estão contemplados por falta de dados.