Rio de Janeiro prorroga quarentena até 11 de maio

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Zelador trabalha no hospital de campanha do Riocentro, construído para receber pacientes com coronavírus, no Rio de Janeiro, Brasil, em 29 de abril de 2020.
Zelador trabalha no hospital de campanha do Riocentro, construído para receber pacientes com coronavírus, no Rio de Janeiro, Brasil, em 29 de abril de 2020.

O estado do Rio de Janeiro prorrogou nesta quinta-feira(30) a quarentena imposta desde o final de março para conter a pandemia do novo coronavírus, que ja matou cerca de 6.000 pessoas no Brasil.

Ao contrário das intenções do presidente Jair Bolsonaro, o decreto do governador Wilson Witzel determina que aulas de escolas e universidades, eventos públicos e serviços e comércio não essenciais continuam suspensos até 11 de maio.

No entanto, em entrevista ao jornal O Globo, Witzel disse que, por enquanto, descarta medidas mais rigorosas, como uma quarentena obrigatória.

"Não estou pensando em um fechamento completo", afirmou.

Supermercados, padarias e armazéns podem permanecer abertos (respeitando as medidas de distância social), e os restaurantes só podem operar com entregas.

O estado com 17 milhões de habitantes registrou oficialmente 854 mortes e 9.453 casos, mas as autoridades reconhecem que há um alto grau de subnotificação.

"Considerando a subnotificação, devemos ter hoje no estado do Rio algo em torno de 140.000 infectados, 15 a 20 vezes mais que o número oficial", disse o secretário de Saúde do estado, Edmar Santos, em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira.

Por esse motivo, Santos alertou que o Rio poderá registrar uma situação de colapso nas próximas "três ou quatro semanas" semelhante à de países como Itália, Espanha e Estados Unidos.

Com esse número de infectados, Santos estima que 7.000 pessoas precisarão ser internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), algo "humanamente impossível para qualquer sistema de saúde no mundo".

Segundo Santos, somando os esforços das autoridades do estado do Rio e de todos os seus municípios, o número de leitos de UTI poderia ser ampliado para 3.400. Mas ainda assim, faltariam equipes de saúde especializadas para atender aos pacientes.

O Brasil registrou até quarta-feira 5.901 mortes e 85.380 casos, segundo dados do Ministério da Saúde. Especialistas indicam que esse número pode ser até 15 vezes maior, devido à falta de testes.

O estado mais atingido, São Paulo, tem 28.698 casos confirmados e 2.375 falecimentos.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro minimizou sua gravidade e criticou as medidas impostas pelos governadores, alegando que as consequências econômicas da paralisação serão piores que as causadas pelo próprio vírus.