Rio manterá 'mistura' de doses com Pifzer para grávidas que tomaram AstraZeneca

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RIO — A cidade do Rio manterá a "mistura" de doses de vacinas contra a Covid-19 para grávidas e pessoas que tiveram reações adversas graves com o imunizante da AstraZeneca. A decisão ocorre apesar das criticas do Ministro da Saúde Marcelo Queiroga aos estados e municípios que adotaram a intercambialidade. Na visão da prefeitura, o município possui autonomia, além da medida ter sido aprovada pelo Comitê Científico da cidade.

Aprovada pelo comitê no fim de junho, a iniciativa visa a garantir a imunização completa de mulheres que receberam uma injeção da vacina da Astrazeneca antes que o Ministério da Saúde recomendasse o uso exclusivo da Coronavac e da vacina da Pfizer em gestantes e puérperas.

A decisão também contempla pessoas que tiveram efeitos adversos graves após tomar a vacina da Astrazeneca. Estas precisam de apresentar um laudo médico que comprovem a contraindicação para a fórmula produzida pela Fiocruz. Já as gestantes, como de praxe, precisam de assinar um termo de esclarecimento e apresentar uma indicação médica com uma avaliação da relação risco-benefício para a vacinação.

Na ocasião, cerca de 6 mil mulheres que tomaram a primeira dose da fórmula da Astrazeneca ainda não sabiam se poderiam tomar a injeção de reforço da vacina.

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira que gestantes e puérperas (mulheres até 45 dias pós-parto) sem doenças prévias voltam a ser prioridade do Programa Nacional de Imunização (PNI) para receber vacina contra a Covid-19. Essa orientação está presente em nota técnica da pasta, que orienta o uso da CoronaVac ou da Pfizer nesse grupo. A decisão, porém, foi tomada três semanas depois da prefeitura do Rio decidir no mesmo sentido.

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga criticou a mistura de vacinas, já adotada em diversos países a partir de estudos que demonstram eficácia. Queiroga também afirmou que a medida não está autorizada no Brasil:

— Não é recomendado. Não há evidência científica acerca de intercambialidade de vacinas na gestante, portanto vamos manter a orientação do Programa Nacional de Imunização.

O ministro criticou a decisão de estados e municípios que decidiram a aplicar a segunda dose de Pfizer em mulheres que haviam recebido a Covishield, da Universidade de Oxford com a AstraZeneca. A cidade do Rio de Janeiro autorizou, no fim de junho, a aplicação de segunda dose de Pfizer em gestantes que já haviam iniciado o esquema vacinal com a AstraZeneca. O estado do Rio também já orientou os municípios a adotarem a medida, e assim como o Ceará, a decisão se estendeu a puérperas.

— Os senhores secretários estaduais e secretários municipais de saúde que, por acaso, queiram modificar essa orientação do PNI, não devem fazer por conta própria, devem fazer após aprovação do grupo intergestor do Programa Nacional de Imunização, apoiado pela Câmara Técnica. É claro que os secretários municipais ou estaduais têm autonomia, mas não pra mudar o cerne do que é discutido na política tripartite.

A vacina da AstraZeneca continua suspensa para essas mulheres, já que utiliza a tecnologia do vetor viral — a mesma da Janssen, aplicada em dose única, que também não será adotada no grupo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientou na terça que ambos não fossem utilizados nessas mulheres, já que há risco de trombose, ainda que em casos extremamente raros. Mas as grávidas que já receberam a vacina da AstraZeneca vão completar a imunização com a mesma vacina, segundo o ministro.

A suspensão, recomendada pela Anvisa, foi anunciada em maio após a morte de uma gestante de 35 anos, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) após receber a primeira dose da Covishield. Após investigar o caso, o ministério concluiu que o óbito, ocorrido no Rio de Janeiro, tem possível relação causal com o imunizante.

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