Rio prorroga restrições para contra Covid-19 e flexibiliza horário de bares e restaurantes

Rodrigo Viga Gaier
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Homem olha o celular ao lado de lojas fechadas no Rio de Janeiro

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As restrições na cidade do Rio de Janeiro para evitar o avanço da Covid-19 foram prorrogadas por mais 10 dias pela prefeitura, informou nesta quinta-feira o governo municipal que, ao mesmo tempo, ampliou o horário de funcionamento dos bares e restaurantes da capital fluminense.

As medidas entram em vigor na sexta-feira e valem até o próximo dia 22 de março. As primeiras medidas de restrição na cidade, em meio ao agravamento da pandemia em todo país, tiveram início no dia 5 de março e expirariam no fim desta quinta-feira.

De acordo com o governo municipal, houve nos últimos 15 dias aumento de 20% na procura por atendimento na rede básica e de 11% nas internações.

"É uma medida preventiva e o que está acontecendo no resto do Brasil nos colocou em estado de alerta vermelho... Não vamos esperar lotar o atendimento, os hospitais, e as pessoas morreram para tomar alguma medida", disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), em entrevista coletiva.

O novo decreto da prefeitura com as restrições, publicado no Diário Oficial do município, mantém o "toque de recolher" de 23h às 5h, período em que fica proibida a permanência em vias públicas, mas é permitido o trânsito de pessoas.

Entre as novidades do novo decreto estão a ampliação no horário de funcionamento de bares, restaurantes e lanchonetes. Agora os estabelecimentos poderão funcionar das 6h às 21h. O decreto anterior limitava o funcionamento até às 17h.

Além disso, os quiosques da orla, que estavam proibidos de funcionar, poderão agora operar até 21h, e os ambulantes que trabalham na praia, que não tinham permissão para atuar, poderão fazê-lo até às 17h. O acesso à praia segue liberado.

"As medidas deram certo e achamos que dá para flexibilizar. E se não respeitar, vamos fechar por 15 dias e se for reincidente, cassar o alvará", disse Paes.

"Os números hoje apontam para uma situação difícil daqui a um tempinho. Uma semana? Dez dias? Espero que não venha, mas a gente tem que tomar medidas para não chorar depois e evitar o genocidio de 2020", acrescentou o prefeito.

Ao longo dos últimos dias houve protestos de representantes e funcionários do segmento de bares e restaurantes e, na quarta, um ato em frente à sede da prefeitura. Políticos da cidade também cobravam a flexibilização do horário de funcionamento desses estabelecimentos.

"Muitos vereadores da cidade estiveram na prefeitura fazendo pressão. Havia uma posição dentro da prefeitura que era pela manutenção de tudo como estava no primeiro decreto. Se começar a criar muitas regras, não funciona e aí era melhor liberar tudo", disse uma fonte próxima das discussões sob condição de anonimato.

Eventos, festas, espetáculos e boates seguem proibidos de funcionar na cidade.

Apesar da proibição, desde a semana passada dezenas de multas, autuações e interdições foram aplicadas pela prefeitura por descumprimento da regra.

A cidade do Rio tem mais de 211 mil casos confirmados de Covid-19 e mais de 19 mil mortes causadas pela doença.

Segundo a prefeitura, cerca de 450 mil pessoas foram vacinadas contra a Covid-19 na cidade. Na quarta-feira faltou vacina em alguns postos de saúde e, de acordo com o secretário de Saúde do município, Daniel Soranz, houve "um erro de cálculo". Paes falou em erro de comunicação da prefeitura. Os idosos poderão se vacinar normalmente nesta quinta.

"Manda vacina que a gente espeta, a gente quer espetar", disse Paes, que espera a chegada de mais lotes de vacinas no fim de semana.