Rio registra a maior fila por UTI de Covid-19 em toda a pandemia

Felipe Grinberg
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Dados do governo do estado mostram que o Rio registrou nesta terçaa-feira a maior fila de pacientes aguardando leitos de UTI de toda a pandemia. Números divulgados pela secretaria estadual de saúde mostram que 528 pessoas aguardam uma vaga de terapia intensiva em todo o Rio. Nesta segunda, foi registrada a terceira maior fila por leito de terapia intensiva no Rio.

Nem na segunda onda que atingiu o estado no fim do ano de 2020, o estado chegou próximo de ultrapassar as filas de UTI registradas em maio do ano passado. A fila por um leito de UTI vem crescendo dia após dia no estado do Rio. Há 10 dias eram apenas 130 pessoas aguardando uma vaga de CTI, o que representa um aumento de 306%. Se somados com os leitos de enfermaria, 745 pacientes aguardam transferência., o maior número desde 14 de maio de 2020

Procurada, a secretaria estadual de saúde não informou quantos pacientes aguardam há mais de 24 horas por um leito de UTI ou a média de tempo que cada um aguarda transferência. Segundo o painel do estado, a mediana está em 15 horas para UTI e 7,5 horas para leitos de enfermaria. Atualmente a taxa de ocupação de leitos de UTI em todo o estado está em 88,7% e 77% das vagas de enfermarias estão ocupadas.

O pacote sanitário das prefeituras do Rio e de Niterói foi, em linhas gerais, elogiado por especialistas, que, por sua vez, criticaram a atitude do governador em exercício Cláudio Castro de não adotar medidas mais restritas. Na avaliação de Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, as novas regras são adequadas para o momento, mas a permissão das igrejas continuarem abertas foi um erro.

— O momento é para medidas drásticas. Acho que toda medida restritiva que impeça aglomerações e, como consequência, a transmissão do vírus é fundamental. Então, deveriam ser só os serviços essenciais. Na igreja, mesmo que a pessoa fique pouco tempo, ela acaba se expondo muito porque, em geral, é um ambiente fechado — diz.

Em uma rede social, o pediatra Daniel Becker, que participa do grupo de notáveis da capital, criticou Castro: “Infelizmente, temos um governador que é negacionista. Ele está propondo um feriadão prolongado com fechamento de escolas, mas com a abertura de bares e restaurantes. Então, é exatamente o pior erro possível. E que, provavelmente, daria em um festival de transmissão”, disse.

Para o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, os governos estadual e federal precisam assumir o papel de coordenação. O sanitarista, que integra o comitê cientifico da prefeitura, diz que o Rio está à beira de um colapso:

— Durante a reunião, houve muitas críticas sobre a postura do governador. E é por isso que tem essa fragmentação. No contexto regional, seria papel do governador ficar ao lado da ciência e da saúde. Só resta aos prefeitos assumirem essa responsabilidade.