Rio registra pior momento da pandemia desde o ano passado

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RIO - O Rio registrou na última semana seu pior momento desde o ínicio da pandemia. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, atualmente são 663 pessoas internadas em leitos de CTI, o maior já registrado. Ainda de acordo com Soranz, a mortalidade nas UTIs chega a 40%.

- Cada pessoa que parar nesses dez dias, menor a chance de internar e se agravar. Quando a gente pede é para não ter mais gentes em UTIs. Mas há limites. Mesmo abrindo novos leitos na cidade e finalmente a rede federal abrindo seus leitos. Não queremos ultrapassar esse teto - disse nesta sexta-feira o prefeito Eduardo Paes.

As restrições anunciadas pela prefeitura e o governo contra o Covid-19 entraram em vigor nesta sexta. A prefeitura montou três barreiras sanitárias (uma na Linha Amarela, na altura da saída 4, sentido Barra da Tijuca; uma segunda no Trevo das Missões, e outra na Avenida das Américas, na Grota Funda, no sentindo Barra da Tijuca) para evitar que ônibus ou vans, que não são de linhas convencionais, entrem na cidade durante o período do recesso.

Os dez dias de combate à Covid-19, que começam hoje e vão até 4 de abril, Domingo de Páscoa, terão duas frentes importantes. Uma delas é um grande esforço para esvaziar as ruas do Rio no período, que embora tenha sido chamado de feriadão, é na verdade um recesso forçado para combater o avanço do coronavírus. A outra é uma tentativa de reduzir a fila para UTIs no estado que na quinta-feira superou a marca de 600 pacientes — a maior desde o início da pandemia —, não só diminuindo a circulação de pessoas, mas também abrindo novos leitos hospitalares.

Nesta quinta-feira, o governador em exercício Cláudio Castro anunciou ter fechado um acordo com o Ministério da Saúde que permitirá a regulação pelo estado de leitos federais, com o apoio da Rede D’Or. Com isso, Castro prometeu já na semana que vem mais vagas para o tratamento de pessoas infectadas, inclusive de terapia intensiva. Nas contas do estado, será possível oferecer mais 560 leitos federais, parte deles do Hospital da Lagoa, além de 200 estaduais e 180 privados (contratados de hospitais particulares).

O decreto de Castro sobre o recesso prevê o fechamento das praias no Estado do Rio, a exemplo do que já determinou o prefeito Eduardo Paes na capital. Num primeiro momento, a restrição seria total, mas o estado mudou para unificar as regras, já que o município do Rio decidiu autorizar as atividades físicas individuais, o que passou a valer. No entanto, no geral, as regras do estado são menos restritivas do que as da capital porque, entre outras coisas, não fecham bares e restaurantes.