Rio registra quase cem jovens desaparecidos este ano; novos cartazes são divulgados

Diego Amorim
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Rogéria e Luciene, mães de jovens desaparecidas

RIO - A cada quatro dias, em média, uma criança ou adolescente desaparece no Rio de Janeiro, segundo números da Fundação para a Infância e Adolescência do estado (FIA-RJ). Apenas este ano, 98 sumiços foram registrados pelo programa SOS Crianças Desaparecidas — com 80 jovens localizados até então. Além disso, 564 crianças e adolescentes ainda estão sumidos no Rio. Para ajudar na busca, novos cartazes foram lançados na sede da instituição, em Botafogo, nesta terça-feira.

— Os cartazes são feitos semestralmente e são divulgados para que a sociedade possa tentar visualizar a dor dessas famílias. Eles serão distribuídos em escolas, hospitais, estradas, rodoviárias e também em aeroportos. A proposta é sensibilizar as pessoas sobre esse assunto, para que elas denunciem e deem informações, para atingirmos o maior número possível de localizações — explica o coordenador da FIA e do programa SOS Crianças Desaparecidas, Luiz Henrique Oliveira.

No meio dessas centenas de crianças está Vitória Nogueira, que desapareceu no dia 5 de junho de 2009, em Irajá, quando tinha 11 anos. De acordo com a mãe da menina, a dona de casa Rogéria Alves da Cruz, de 62 anos, era a primeira vez que a menina saía sozinha de casa — naquele dia ela estava a caminho da casa de uma amiga. Para ela, a divulgação de fotos e de informações é essencial para a busca.

— Se o desaparecimento da minha filha tivesse a repercussão que os casos ganham hoje com as redes sociais, acredito que ela teria sido encontrada. Eu tive que aprender a conviver com a dor, para dar forças a meu outro filho — afirma Rogéria, que preside o grupo Mãe Braços Fortes, que trabalha no apoio a famílias de jovens desaparecidos: — A ONG surge como uma necessidade de trabalhar para não pirar.

Quem também tenta encontrar a filha é Luciene Torres, de 57 anos, presidente do Movimento Mães Virtuosas do Brasil. Em 2009, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a pequena Luciane Silva, então com apenas 9 anos, foi à padaria e nunca mais voltou. Testemunhas contam terem visto a garota ser levada por um homem numa bicicleta. Hoje, após 10 anos, Luciene encontra forças na família para seguir em frente.

— Tenho mais um casal de filhos e quatro netos, são eles que me sustentam — conta a mulher, que, em novembro, se emocionou ao ver a fotografia da filha "atualizada" pelo Núcleo de Envelhecimento da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) da Polícia Civil.

Lei obriga polícia encaminhar casos à FIA

As famílias das crianças e adolescentes desaparecidos comemoram a publicação da Lei nº 8547/19, que estabelece a obrigatoriedade dos casos registrados nas delegacias serem comunicados ao Programa SOS Crianças Desaparecidas e ao Programa de Localização de Identificação de Desaparecidos (Plid) do Ministério Púbico estadual.

— A comunicação e o encaminhamento devem ser realizados de forma imediata. A Lei Federal nº 11.259, de 2005, determina a investigação imediata em caso de desaparecimento de criança ou adolescente — observa Luciene, que mora no Km32, na cidade de Nova Iguaçu.

De acordo com o texto, de autoria do deputado estadual Gustavo Tutuca (MDB) e sancionada pelo governador Wilson Witzel em outubro deste ano, as famílias e os responsáveis desses jovens precisam também ser encaminhados para o atendimento psicossocial.

Com sede em Botafogo, a FIA planeja inaugurar outros oito postos no estado. De acordo com a fundação, são recebidas cerca de 30 ligações por dia com informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos. No entanto, parte desses contatos ainda são trotes, o que, segundo a instituição, acaba prejudicando o trabalho de busca da polícia.

Jovens desaparecidos há cinco dias

As famílias de três jovens moradores do Complexo do Alemão, que desapareceram após saírem de casa na noite da última quinta-feira, por volta das 19h, estão em busca dos rapazes. João Vitor Jesus dos Santos, de 15 anos, Ronaldo Rosa Santos, de 16, e Rudson Romão Araújo da Silva, de 22, estavam de carro a caminho de Piedade, Zona Norte, quando sumiram. Desde então, parentes dos jovens não tiveram mais notícias. Nesta segunda-feira, as famílias estiveram na Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) para prestarem depoimento.

Quem tiver informações sobre o paradeiro desses e de outros jovens pode entrar em contato pelos telefones (21) 2286-8337 e (21) 98596-5296, da FIA, ou pela central de atendimento do Disque Denúncia, no número (21) 2253-1177, no Whatsapp do Portal dos Procurados, pelo número (21) 98849-6099, ou ainda por mensagem pela página do portal no Facebook. O anonimato das informações é garantido.